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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Renda dos pobres cresce 72% entre 2001 e 2008

Em vermelho.org.br

Este exército de 91 milhões de brasileiros está tornando anacrônico o conceito atual de classe média — baseado em padrões de consumo e culturais — e métodos básicos de produção e publicidade estão sendo revistos. Entre 2003 — quando a “classe” C respondia por 37% da renda nacional (salários, benefícios sociais e previdenciários, juros e aluguel) — e 2008, 26,9 milhões chegaram a este grupo.


Essa migração em massa alterou o rumo da divisão historicamente desigual do bolo no Brasil e proporcionou o surgimento de um grupo com características socioculturais próprias. Se a década de 1990 foi marcada pela estabilidade e a educação, o aumento da renda que marcou os anos 2000 permitiu ao consumidor não só comprar, mas escolher o produto com que mais se identifica.


O vice-presidente da agência DM9DDB, Alcir Gomes Leite, garante que isso fez os profissionais reverem seus conceitos. O novo público não se preocupa só com preços: — Vai atrás das marcas, tem uma identidade própria, que é diferente da classe média tradicional. As marcas já entenderam isso. Não querem mais saber o que fazer para tornar o cliente fiel. Vão atrás do que têm de fazer para se tornarem fiéis a eles.

Também não adianta anunciar um produto para a “classe” AB achando que o indivíduo da classe C vai querer comprar para “ascender”: — Esse conceito de classe média foi para o saco. As grandes empresas têm concentrado ao menos 60% das inovações no novo público, segundo Alcir.

Já o presidente da Associação da Indústria Têxtil (Abit), Aguinaldo Diniz Filho, disse que o setor investiu US$ 855 milhões em 2009 em designers, marketing e ampliação da produção com foco na nova classe média. O consumo per capita de tecido no país é considerado baixo: 8,2 quilos: — Com mais gente subindo da “classe” D para C e de E para D, podemos acrescentar mais cinco quilos.

Mas a mudança não está só nas novas necessidades de quem compra. A própria estrutura da economia está se alterando. O potencial de geração de renda do brasileiro está crescendo mais depressa do que a sua capacidade de consumo. “O brasileiro pode ser na foto ainda mais cigarra do que formiga, mas estamos sofrendo gradual metamorfose em direção às formigas”, diz o chefe do Centro de Políticas Sociais da FGV, Marcelo Néri, em referência à fábula de La Fontaine.

Néri garante que ascensão de pessoas das “classes” D e E à C se deu não apenas pelos programas de ajuda social do governo. Mas porque o brasileiro trabalhou mais, ganhou melhor, se educou, comprou computadores e celulares e poupou mais. Segundo a pesquisa, o índice do consumidor aumentou 14,98% entre 2003 e 2008, contra 28,62% do índice do produtor. O primeiro mede o acesso das famílias a bens de consumo (TV, geladeira, DVD), serviços públicos (lixo, esgoto), condições de moradia (financiamento, número de cômodos e banheiros) e tipo de família.

Já o segundo estima o potencial de geração de renda pela sua inserção produtiva e nível educacional, bem como investimentos em capital físico (previdência pública e privada, uso de tecnologia de informação e comunicação), capital social (sindicatos, estrutura familiar) e capital humano (frequência escolar dos filhos).

Tudo isso são ativos que deram ao trabalhador produtividade A nova “classe média” tem carteira assinada, casa própria ou financiada, estuda em escolas públicas ou particulares, tem previdência social ou privada, computador e celular. Idosos, mulheres, trabalhadores com carteira e nordestinos são exemplos de brasileiros que puxam a transformação.

Veja entrevista de Marcelo Neri*, feita por Ivan Marsiglia, no jornal O Estado de S.Paulo

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Na pesquisa “A Nova Classe Média”, o senhor afirma que a categoria representa hoje 52% da sociedade brasileira. Essa classe C tem uma base de renda achatada?

Claro que a classe média brasileira que ascendeu nos últimos anos não é igual à americana ou à europeia. Mas a renda média no Brasil é muito próxima da renda média mundial. São famílias que recebem mensalmente entre R$ 1.115 a R$ 4.808. Como definimos essa “nova classe média”? Na virada da década, ela se situava entre os 50% mais pobres, das classes D e E, e os 10% mais ricos, da classes A e B. Representava 40% da população. Hoje, ela é majoritária: 52%.

Que significado tem essa mudança?

A primeira importância é econômica. Ela passou a ser a maior concentradora de poder de compra. A classe C é responsável hoje por 46,5% do bolo de renda do País, enquanto a classe AB tem 43%. Então a classe C passa a ser estratégica para as empresas em suas decisões. Outra importância é política: se toda ela votasse em um só candidato, a classe C decidiria sozinha a eleição. Evidentemente que isso é improvável, pois seu perfil não é homogêneo. Mas se na maioria dos países a classe média costuma ser o fiel da balança de uma eleição, aqui ela passou a ser mais do que isso.

É um fenômeno sustentável, que veio para ficar?

O que cresceu significativamente no País foi renda do trabalho, não aquela proveniente dos programas sociais – o que já garante certa sustentabilidade. Outro fator é o aumento da formalização do trabalho. De 2003 a 2009, o número de empregos formais novos foi de 8,5 milhões, o que mostra que o empresário, que é o símbolo e a força dinâmica do capitalismo, está apostando. Parece que a sociedade brasileira como um todo, que sempre aceitou a desigualdade, agora aceita menos.

Por que o senhor diz que a atual década se caracteriza “menos pelo crescimento generalizado da renda para todos os estratos da população, do que pela redução da desigualdade observada”?

Nos números da Pnad de 2001 a 2008, se observa uma queda muito forte na desigualdade. Ela só tinha se alterado significativamente no Brasil uma vez: nos anos 60, e para cima. A desigualdade aumentou na época do milagre econômico. Por isso o (economista) Edmar Bacha cunhou o termo “Belíndia” (segundo o qual, em termos sócio-econômicos, o Brasil seria uma mistura de Bélgica e Índia). Apenas de 2004 para cá, 32 milhões de brasileiros subiram para a classe ABC. Em cinco anos, 19,3 milhões saíram da pobreza. Então, a boa notícia é que dá para transformar o País rapidamente, aos saltos. A má é que a desigualdade continua grande: ela ainda precisa cair três vezes para convergir ao nível norte-americano, que já é muito alto.

Economistas como Claudio Dedecca, da Unicamp, afirmam que não se pode falar em queda de desigualdade, uma vez que a diferença entre a renda do capital e do trabalho continua crescendo no país…

Discordo. Primeiro porque a gente não sabe bem o que houve com a desigualdade entre capital e trabalho: há problemas de medição, é muito difícil captá-la. E existe toda uma tradição de linha marxista com esse foco, que abomina o crescimento do capital no Brasil como se ele fosse o problema. Minha linha é outra: precisamos de um “choque de capitalismo” para os pobres.

A pergunta da Pnad é simples: Quanto dinheiro você tem no bolso? É a soma da renda do trabalho, do que o aposentado da família ganha de pensão, do valor recebido dos programas sociais. Para o cidadão comum, é isso o que importa: o conforto que ele leva para a casa da família. E você nota que o bolso do pobre cresceu mais, proporcionalmente, que o do rico.

Outra vertente de críticas afirma que teria havido não propriamente melhoria na renda, mas maior capacidade de consumo pelo endividamento, por causa do crédito. E aí?

O crédito pode ter feito a roda da economia girar mais, gerando mais renda. Mas esse é um efeito extra. O que aconteceu de fato foi o que já chamei de “o segundo Real”. O grande marco da gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso foi o Plano Real. No Ipea, nós fomos os primeiros a mostrar que o Real tinha diminuído a pobreza. Um ganho veio da estabilidade, do fato de o cidadão poder prever o futuro, sair da inflação de 40% ao mês. Em certo sentido, isso se repetiu em 2003, quando

Lula assumiu a Presidência e mostrou aos mercados que manteria as regras e contratos. Depois vieram os programas sociais em grande escala e a volta do crescimento econômico. A classe C no Brasil aumentou de 32% para 37% com o Plano Real. Com o “segundo Real”, agora, passou de 37% para 52%.

Por que o senhor diz que a renda dos mais pobres teve “crescimento chinês” no país?

O crescimento da renda per capita dos pobres de 2001 a 2008 foi de 72%. Fazendo uma conta simples, dá quase 10% ao ano – semelhante aos índices chineses. Com uma diferença. O (economista Carlos Geraldo) Langoni (diretor do Centro de Economia Mundial da FGV), que esteve na China recentemente, me disse que ela parece o Brasil dos anos 60: crescendo muito, mas com a desigualdade aumentando.

O crescimento geral da economia brasileira é menor em quantidade, mas melhor em qualidade, em relação à China. Somos uma democracia – e vimos ao longo da década de 80 o quanto aprender a ser uma democracia gera custos econômicos -, nosso tratamento ambiental é melhor, ainda que com problemas, e o caráter desse crescimento é outro, distributivo.

A educação continua crítica?

O índice Gini mostra que a desigualdade de educação também caiu ao longo das duas últimas décadas e o nível dessa educação começa a melhorar – embora seja muito baixo ainda. No começo dos anos 90, 15% das crianças brasileiras estavam fora da escola. Hoje, são menos de 2,5%. Esses jovens começaram a chegar ao mercado de trabalho mais bem preparados e informados, obtendo salários maiores e com mais chances de obter empregos formais.

É por isso que o aumento da escolaridade também influencia na formalização da economia. O esforço para se colocar as crianças na escola, na década passada, foi o segundo grande marco dos anos FHC, além do Plano Real – e explica em parte o que está havendo nesta década. FHC criou o Bolsa-Escola, Lula deu escala a ele. Primeiro, com um passo atrás, no Fome Zero. Depois, com dois à frente, no Bolsa-Família – que é um Bolsa-Escola 2.0, mais evoluído. Se eu fosse tucano, estaria pensando no Bolsa-Escola 3.0 para a eleição de 2010. E se fosse petista, no Bolsa-Família 2.0. O País não pode ficar sentado nos louros.

O que contribuiu mais para a queda da desigualdade: o Bolsa-Família ou os aumentos no salário mínimo?

No estudo sobre o Real em 1996, notamos que boa parte da redução da pobreza se deu em maio de 1995, quando houve forte reajuste do salário mínimo. Já os aumentos ocorridos sob Lula, de 2005 para 2006, tiveram efeitos menores no combate à desigualdade. Foi o aumento da renda do trabalho o responsável por quase 1/3 da melhora observada. Em seguida, 17% se devem ao Bolsa-Família e 15% à previdência, aí incluído o salário mínimo.

Os resultados são até equilibrados, só que o Bolsa-Família custa bem menos: 0,4% do PIB, enquanto as aposentadorias representam 12% do PIB. A cada real gasto com o Bolsa-Família, a pobreza cai três vezes e meia mais do que o equivalente investido no salário mínimo. Além disso, o programa beneficia mais a classe E, enquanto é a classe B que ganha nos reajustes de salário mínimo e a classe AB nas aposentadorias acima dele. Para fins de redução da desigualdade, o Bolsa-Família dá de goleada.

Como ele pode ser aperfeiçoado?

Muita gente exalta muito as tais condicionalidades – a obrigação de levar os filhos à escola, fazer exames médicos, etc. – mas na prática elas não têm grande efeito no Bolsa-Família. As crianças pobres já estão na escola desde FHC. A agenda do próximo Bolsa-Família deveria se concentrar não na chamada “porta de saída da pobreza”, uma expressão que não acho boa, mas em uma “porta de entrada” nos mercados. O pobre não quer sair de nada: ele quer é entrar. Falta criar dispositivos para distribuir serviços sociais e produtivos aos beneficiários.

O governo anunciou esta semana que vai enviar ao Congresso até março o projeto de consolidação das leis sociais. Pela sua experiência com o tema, que aspectos dos atuais programas sociais mereceriam status de lei no país?

Ainda não conheço o projeto em detalhes. Sou francamente favorável ao estabelecimento de metas sociais para aumentar o desempenho e dar transparência a esses programas. O que a Constituição de 1988 fez? Estabeleceu direitos e definiu em que áreas o município, o Estado e a União deveriam investir – mas não exigiu que eles mostrassem que gastam bem. Fixar metas significa não apenas dar um choque de gestão nos projetos sociais, mas também uma oportunidade de cobrança para a população.

Como isso pode ser feito?

Por exemplo, vinculando parte da distribuição de verbas a ganhos de eficiência. Ou como São Paulo e Pernambuco estão fazendo com os professores estaduais. Se o aluno progride, quem ensinou tem direito a bônus. Premiar, com critérios de mercado, as boas ações.

Já que exigir frequência à escola no Bolsa-Família é uma condicionalidade fraca, por que não criar metas de proficiência, que envolvam tanto o estudante como sua família? Vários upgrades podem ser dados ao Bolsa-Família, que é uma plataforma que veio para ficar. Nos últimos anos a gente deu os pobres ao mercado. Falta agora dar o mercado aos pobres.

* Marcelo Neri, 47 anos, é Chefe do Centro de Pesquisas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. Ph.D pela Universidade Princeton, foi pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) na década de 90.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana

Definitivamente, cansei de premiações musicias (VMB, Prêmio Multishow, Grammy). Há pouquíssimo tempo, a cantora norte-americana Beyoncè bateu todos os recordes possíveis na última edição do Grammy. A morena bateu inclusive o Michael Jackson dos tempos áureos, quando levou tudo que era possível na época. Aí eu pergunto: por quê?

A indústria musical é algo realmente curioso. A música americana, assim como o cinema, domina o mercado internacional, chega à casa de todos e tem fácil penetração e manutenção; sem que para isso precisem fazer muito esforço. A fórmula é pronta: refrões pegajosos, batidas eletrizantes, boas danças e de preferência uma linda mulher. Dessa forma, temos o que precisamos para concorrer no Grammy.

Para evitar essa dominação total dos americanos, organizaram Grammy's espalhados pelo mundo, vide Grammy Latino - Ah, mas a lógica musical não muda muito: aqui vencem os NX Zero da vida, ganhando inclusive para bandas maravilhosas como os Titãs. Por que será? O incrível é que esses prêmios são oferecidos por jurados especializados.

Por que será que artistas como Titãs, Marcelo Camelo, Lenine não têm oportunidade de competir no prêmio internacional? Por que será que ainda tem gente desprezando a boa música de verdade? Como cultura, incluindo música, cinema e algumas coisitas mais são de bom lucro, fica fácil entender por que Beyoncè ganha prêmios e mais prêmios e cobra R$ 20.000,00 para dar um "oi".


Plano de governo do PT para Dilma reforça papel do Estado na economia

Do Estadão de hoje


Ancorado pelo mote de um novo "projeto nacional de desenvolvimento", o programa de governo do PT vai situar a candidatura presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à esquerda da gestão Lula. Documento com as diretrizes que nortearão a plataforma política de Dilma, intitulado A grande transformação, prega maior presença do Estado na economia, com fortalecimento das empresas estatais e das políticas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal para o setor produtivo.

O texto a ser apresentado no 4º Congresso Nacional do PT, de 18 a 20 de fevereiro - quando Dilma será aclamada candidata ao Palácio do Planalto num megaencontro em Brasília - diz que a herança transmitida à "próxima presidente" será "bendita", após duas décadas de estagnação e avaliações "medíocres". Em 2003, quando assumiu o primeiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter recebido uma "herança maldita" do então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Na tentativa de esvaziar o mote do pós-Lula entoado pelo PSDB, o documento obtido pelo Estado sustenta que só o herdeiro do espólio lulista pode oferecer as bases para a formulação de um "projeto nacional de desenvolvimento", que mescla incentivos ao investimento público e privado com distribuição de renda.

"O Brasil deixou de ser o eterno país do futuro. O futuro chegou. E o pós-Lula é Dilma", diz um trecho da versão preliminar da plataforma. No diagnóstico que antecede a apresentação dos eixos programáticos, o PT afirma que "o Brasil foi programado para ser um país pequeno, cujo crescimento não poderia nunca ultrapassar os 3%, e que teria de se conformar com a existência de 30 ou 40 milhões de homens e mulheres para os quais não haveria espaço".

Com estocadas nos tucanos, o texto deixa claro que o PT deseja uma campanha polarizada com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), potencial adversário de Dilma, embora o nome dele não seja citado. "Os preconceitos ideológicos hegemônicos nos anos 90 fizeram com que o Estado brasileiro passasse naquele período por um processo de desconstrução, que comprometeu sua eficácia", ataca o documento, numa referência ao governo Fernando Henrique. "Os mesmos que no passado foram responsáveis por esse desmantelamento são hoje os que denunciam a "gastança" e o inchaço da máquina pública."

As propostas apresentadas, no entanto, são enunciados genéricos, como "aumentar os recursos públicos" para ter um Sistema Único de Saúde (SUS) de qualidade, "expandir o orçamento da educação", "dar ênfase especial à construção de novas hidrelétricas" e "ampliar as funções do Ministério do Planejamento".

GRANDES CIDADES

De olho nos votos dos dois maiores colégios eleitorais do País (São Paulo e Minas), o programa tem um eixo chamado "Melhor condição de vida nas grandes cidades" e acaba tocando em temas que não dizem respeito ao governo federal, como ampliação das linhas de metrô, veículo leve sobre trilhos (VLT) e corredores de ônibus.

Não há metas de curto, médio ou longo prazo nas diretrizes da plataforma petista nem propostas para a política fiscal e monetária, embora coordenadores da campanha de Dilma assegurem que o PT não defenderá mudanças nessa seara, para não assustar o mercado financeiro.

Trata-se-se, na prática, de uma carta de intenções, coordenada pelo assessor de Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia. Os verbos mais conjugados no documento - que ainda receberá emendas, passará pelo crivo dos partidos aliados e só virará programa de governo a partir de junho - são "manter", "acelerar", "aprofundar" e "ampliar". Mesmo assim, a primeira versão contém pistas de como o PT enxerga um eventual governo Dilma.

"O programa é mais à esquerda do presidente Lula, mas não é mais esquerdista", argumenta o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). "Isso significa que poderemos cumprir agora os objetivos sociais mais ambiciosos, porque as grandes questões macroeconômicas, como a dívida interna, ou foram solucionadas ou estão equacionadas."

EIXOS

Treze eixos compõem a versão preliminar da plataforma de Dilma. O primeiro deles diz que "o crescimento acelerado e o combate às desigualdades sociais serão o eixo estruturante do desenvolvimento econômico". No fim de cada tópico há uma frase do tipo "a ação do governo Dilma privilegiará" e aí são expostas as intenções do partido, como "manutenção da política de valorização do salário mínimo".

JORNADA

Alvo de intensa polêmica, a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas - reivindicada pelas centrais sindicais - também é citada no primeiro esboço. Pode, no entanto, ser retirada, sob o argumento de que projetos de lei em tramitação no Congresso não devem constar do texto.

Carro-chefe da propaganda de Dilma, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é tratado como essencial para a estratégia de desenvolvimento do País, ao lado do PAC 2 - que será lançado em grande estilo em março, às vésperas de a ministra deixar o cargo -, embora sua vigência seja para o período 2011-2015. "A elevação das taxas de crescimento, que deverá marcar o governo Dilma, exigirá a conclusão das obras do PAC", reforça o documento. "O PAC 1 e o que estará previsto no PAC 2 darão competitividade à economia brasileira."

Recife GRITA Socorro

Meu nome é Recife
Eu sou de Pernambuco
Não tenho medo do escuro
Pois ele habita em mim

A criatura Recife e suas faces, sou eu!

Então deixem eu gritar
Através da poesia e da arte
As quais fazem parte
Da minha vida feliz

Ora...
Tesouro maior do mundo:

Eu, poeta Recife
Poder gritar absurdos
Aos ouvidos de alguns.

Então deixem que eu grite
Entre as faces,
Aquela que alimenta meu vício
Tento, tento e não consigo
Dela me separar

É minha face corrupta!

Dela só tiro tormento
Já me tornei violento
E não consigo parar

Como conseqüência do feito
Educação, Saúde e Respeito
Me faltaram e eu to eleito
A ir a júri popular


Logo eu que cresci entre os mangues da diversidade Capibar...

Meu nome é Recife
E eu sou semi-analfabeto
Minha saúde esta fraca
Mal posso me sustentar

Então deixem que solte minha voz

Por favor

Não me neguem o direito de gritar

Não me neguem

Não me neguem o direito de lutar

Deixem que eu grite
Que eu chore
E que vá a publico a minha dor

Não maltratem o direito de pensar
Meu ardor
Minha vida
Meu olhar
Meu amor

É direito nosso sonhar
Não me neguem

Quero meu direito de errar
Não me neguem

Se não eu morro
E sem direito a primavera


Giordano Bruno Gonzaga

Expurgo de CARNAVAL

VOMITARAM nas ladeiras de Olinda!

E tão singelo,
E tão delicado o ato
Me tremi de euforia.

E tocado...
Sentido!
Tracei meu enredo,
Encostei num arvoredo
E me enchi de carnaval

Foi tanta troça, pirata,
Cachaça, palhaço,
Suor, colombina...
Era frevo rasgado,
Maracatu ensaiado
Pra alimentar adrenalina

Investi na fantasia
E entrei na folia
Com máscara de cidadão

Interpretei tanta sujeira,
Me lambuzei de safadeza,
Até cair de supetão

E ali, caído no chão...
Ouvi os clarins.
Ah... Os clarins das ladeiras de Olinda!
Gritavam minha alforria

Não me contive
E num singelo,
E tão delicado ato...
EXPURGUEI!
A repressão de um ano inteiro






GIORDANO BRUNO GONZAGA

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

UJS-Recife

Aconteceu nos dias 29, 30 e 31 o curso de formação da UJS-Recife. O curso contou com a presença de mais ou menos 40 jovens, entre militantes e "chegados" da UJS-Recife. Como não poderia deixar de ser, o socialismo, a história do Brasil e a história da própria UJS foram o centro dos debates que ocorreram nesse fim de semana.

O curso aconteceu em uma pousada na cidade de Igarassu, e contou com aulas como História do Brasil, Socialismo, plenária sobre Jovens Trabalhadores, 25 anos de UJS e uma plenária com a presença do Vereador do Recife Luciano Siqueira. Além dos debates e ensinamentos, pudemos presenciar a filiação de novos jovens à UJS e um grande debate sobre conjuntura com Luciano Siqueira.

Por fim, na plenária final, foi eleita a nova direção da UJS-Recife, que irá conduzir a mesma até o próximo congresso da entidade cuja data deverá ser em maio.

Um abraço e firmes na luta.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Respeito é Bom e eu Gosto!

Criança é mesmo um barato…
Como dizem os mais antigos, uma benção.

Que o digam os avôs e avós, esses mimam seus netos, os enchem de manias e quereres, deseducando-os, usando e abusando da paciência dos pais que se esforçam para dar uma boa educação para seus filhos.

De qualquer forma, ter uma criança em casa é certeza de boas histórias. O que nos rende boas risadas. Certa vez, ouvi de um amigo, que seu avô o chamava e a seus primos carinhosamente de porcaria, ou pocalia, ou até mesmo de pocaliazinha.

Eram ainda muito novos, e estavam engatinhando no significado das palavras.
Até que um dia, a surpresa.

Contava-me ele que depois de seu avô brincar exaustivamente com seu primo, depois de boas risadas numa intima relação de avô e neto, vira-se o senhor animado a procura de alguém como quem quer passar a bola e diz como de costume: – olha a porcaria, quem vai querer essa pocaliazinha agora?

O garotinho não teve papas na língua, olhou no fundo dos olhos do vovô e falou firme e altivo:
- Porcaria é você!

Pronto, o mundo parou. Os adultos se olharam, e as expectativas ficaram no ar.
Talvez um carão, talvez umas palmadas, afinal isso não era jeito de uma criança falar com seu avô.

Surpreso, o senhor então repreende o garoto, no mesmo tom de afronta que ele utilizou:
– Que é isso meu rapaz? Que falta de respeito, isso é jeito de falar com seu avô?

O netinho que agora era alvo de todos, abaixa a cabeça e de olhar acanhado, responde ainda firme, mas com todo o respeito:
- Porcaria, é o senhor!




Giordano Bruno Gonzaga

Texto enviado por Lula a Davos destaca avanços do País

Da Agência Estado

"É hora de reinventar o mundo e suas instituições."


Pela primeira vez, o Fórum Econômico Mundial quebrou o protocolo e deixou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, ler o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cerimônia de entrega do prêmio "Estadista Global".

O discurso descreveu os avanços obtidos pelo Brasil nos últimos anos, que permitiram uma recuperação rápida em meio à turbulência global, na avaliação do presidente.

A mensagem do presidente brasileiro a Davos também tratou da necessidade de mudanças na economia global, para evitar novas crises, e de esforços mais fortes pela preservação do meio ambiente.

"O Brasil provou aos céticos que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza."

Ele avalia que o olhar para o Brasil hoje é muito diferente do que há sete anos, quando esteve pela primeira vez em Davos, logo que chegou ao poder. E que havia dúvidas sobre o operário sem diploma universitário, vindo da esquerda sindical.

No discurso de 2003, Lula frisou que era necessário construir uma nova ordem econômica internacional. "Sete anos depois posso olhar nos olhos de cada um de vocês e do meu povo e dizer que o Brasil fez a sua parte", diz a mensagem lida por Amorim.

"Ainda precisamos avançar muito, mas ninguém pode negar que o Brasil melhorou."

Ele lembrou que 20 milhões de pessoas saíram do estágio de pobreza absoluta, enquanto o País reduziu o endividamento externo e se tornou credor do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para Lula, o Brasil caminha para se tornar a quinta economia mundial.

O prêmio "Estadista Global", concedido pela primeira vez pelo Fórum Econômico Mundial, foi entregue pelo ex-secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) Kofi Annan ao ministro Amorim, que representou Lula.

Críticas

O discurso também trouxe críticas ao capitalismo financeiro e a defesa do papel do Estado na economia. O presidente avalia que o principal fator que ajudou o Brasil no combate à crise foi o modelo econômico de incentivo ao crédito e ao consumo e de redução de impostos, reforçado durante a turbulência.

Lula, conforme as palavras lidas por Amorim, pediu uma mudança profunda na ordem econômica, de forma a privilegiar a produção e não a especulação. Segundo ele, os governos devem recuperar o seu papel original, que é o papel de governar.

"É hora de reinventar o mundo e suas instituições."

O presidente brasileiro também mandou uma mensagem de frustração com o cenário mundial.
"Os desafios do mundo são maiores que os enfrentados pelo Brasil. O mundo precisa de mudanças mais profundas e complexas."

De acordo com ele, Copenhague foi um exemplo, já que a humanidade perdeu uma oportunidade de avançar na preservação ao meio ambiente. "Espero que cheguemos com espíritos desarmados (na próxima reunião) no México".

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Tem lobo mostrando dente e lobo em pele de cordeiro por aí!

Eita título óbvio!

Tenho certeza que muitos pensarão isto quando lerem o título deste post....

Mas às vezes é necessário reafirmar o óbvio para estarmos atentos, pois o ano é de demarcar posições e mostrar "de que lado nós sambamos"

...não dá pra entrar nesta onda de eleição "Pós-Lula" que faz parte do discurso da direita.

Engraçado é que me lembra uma frase que sempre usei no Movimento Estudantil que "toda gestão tem que ter o seu Dom Quixote e o seu Sancho Pança, onde um é o herói bonzinho e o outro o seu fiel escudeiro, por vezes taxado de mau por ter de comprar briga em prol do cavaleiro".

E é exatamente esta estratégia que a direita vem utilizando, Sérgio Guerra personificou o lado mau que cuida dos ataques enquanto José Serra está bem quietinho e aparecendo ao lado de Lula e Dilma numa convivência pacífica digna do discurso "pós-Lula", herdado do inteligente Aécio Neves.

E podem ter certeza que neste ano a estratégia da direita usará a "tática do morcego"....morde e assopra.

O objetivo deles é desviar o foco do ataque enquanto Serra caminha ileso por aí, sem se envolver em "baixaria" e propondo avanços e mais avanços, numa campanha que supostamente não olha para trás e só para frente, tentando mascarar as enormes diferenças entre os 8 anos do Governo Lula e os 8 anos do Governo FHC.

...mas a nossa resposta estará embasada em comparações que vão muito além de números e gráficos. A nossa resposta está na elevação da autoestima da população, está na ascensão social e nova perspectiva de vida de milhões de brasileiros, está nas diferenças de postura diante dos problemas econômicos e sociais

...enfim, as diferenças são tantas e tão gritantes que eles tentam desqualificar o nosso discurso como "plebiscitário", pelo simples medo da humilhante comparação que podemos fazer.

E não dá pra negar que do lado de cá também temos nossos Dom Quixotes e Sancho Panças, afinal Dilma está penando pra perder a fama de mau que carregou por cerca de 7 anos de gestão.

Já em Recife, o "Sancho Pança" João da Costa tem somado atritos com o "Dom Quixote" João Paulo, porém aqui o problema é mais embaixo, pois os atritos são muito maiores e não se comparam ao bom alinhamento percebido na construção da candidatura nacional.

Então...alerta camaradas!

Não caiam em provocações e saibam para onde as nossas lanças devem estar apontadas pois, diferente do clássico literário, aqui os moinhos não são de vento...por mais que alguns até tentem nos ludibriar.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Suave Deslize


A chuva desliza suave no morro

Desliza a chuva no morro suave

Suave desliza o morro na chuva

Morro suave na chuva que desliza

Giordano Bruno Gonzaga

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O Quarto Poder

Recentemente vem sendo tratado, na mídia brasileira, o decreto do Presidente Lula para o 3º Programa de Direitos Humanos. O texto, que tem o intuito de consolidar conquistas importantes dos brasileiros, como o direito à memória no caso da opressão militar, vem sendo discutido de forma irresponsável e tendenciosa pela mídia marrom.

O programa é, na verdade, uma reafirmação do segundo programa criado pelo então Presidente, FHC. A imprensa marrom fez a questão de evidenciar as diferenças que há entre o decreto tucano e o decreto de Lula. Um exemplo disso é a questão do termo utilizado por Lula, ao se referir ao perído da Ditadura. Nesse caso, Lula recuou e fez a mudança que o Ministro da Defesa e os Militares queriam. O que não dá para aceitar é o fato de alguns setores conservadores quererem fazer que a gente esqueça o período de opressões e torturas que sofreram os brasileiros naqueles vinte anos. O debate nos faz relembrar como foi o processo de redemocratização do nosso país: por ter sido "negociada" a nossa "liberdade", acabou-se abrindo mão de algumas coisas essenciais, como o julgamento de torturadores.

Mas o que mais mexe com a imprensa marrom é a questão do controle e fiscalização da mesma. Quando se fala em fiscalizar os direitos e deveres da imprensa, todos eles se manifestam contrariamente. A imprensa brasileira acha que pode investigar a tudo e a todos, que podem opinar sobre o trabalho de qualquer um. Mas, em hipótese alguma, alguém pode meter a mão no trabalho deles. Em contrapartida, eles podem nos oferecer cenas como a de Boris Casoy, comentando o trabalho dos garis.

Dia desse, em seu twitter, o Marcelo Tas estava exaltando a política da Hilary Clinton, dizendo que, lá, eles defendem a liberdade de imprensa, enquanto aqui discute-se algo para sua fiscalização. Tas, vocês não querem liberdade, vocês querem a oficialização do poder de vocês se dizerem o Estado Paralelo. E a depender dos governos progressistas que nosso país vem tendo, e por muito tempo ainda, terá, vocês nunca terão. Ou como dizia Capitão Nascimento, o Quarto Poder, vocês "nunca serão, nunca serão".


Pra quem não viu e ouviu:

Cônsul haitiano no momento mais infeliz de sua vida


sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Por Bom Comportamento

Seis anos apenas, com lindos lábios a sorrir.
Chega faceira, feliz a brincar com a novidade que traz da escola.

Sua mãe então ver em posse de seus delicados dedinhos, colorido balão de festa.
Intrigada, deduzindo ter sido presente de alguém, pergunta a sua filha o que era aquilo em suas mãos.

- Um balão mamãe! minha professora deu para os alunos mais comportados da sala. Responde a garotinha.

E a mamãe satisfeita e orgulhosa; - Que lindo, filha, esse foi o balãozinho que você ganhou?
- Não mamãe, responde a garotinha com lividez,- Eu o roubei da coleguinha de sala.

Janeiro é sempre assim...

Oi gente, tudo bem com todos?

Olha, o mundo tá louco mesmo, tem tanta coisa pra falar então vou só dar umas pinceladas aqui e acolá, blz?

Primeiro dizer que quem perdeu a minha festa vacilou, foi bom d+! Pessoas queridas! Como é bom começar o ano com coisas boas acontecendo.

Segundo, "joguei a minha vaca do penhasco" e assim posso enxergar o resto do meu campo, olhar pra outras oportunidades e ações que posso fazer sem me preocupar apenas com "a vaca", já que ela repousa em outro lugar agora. :D Mas sem dúvidas tenho minh'alma tranquila após solucionar esse problema.

Fico feliz por ver amigos resolvendo problemas e criando situações agradáveis, bom isso. Também por reeditar boas conversas e reatar nós de amizades que estavam tão morninhas, mas que voltaram pro forno, né Iumatti?

No trabalho o recesso parlamentar me deu tempo pra pensar e repensar formas de ação, me deu tempo pra pensar sobre o "jogo da vida" que não pára. Se a gente parar se lasca, pois as outras peças do tabuleiro continuam sempre em movimento. Uns chamam isso de dialética. :P

A política, eita, agora vai!!! É ano eleitoral gente, saudades? Confesso que Eu estou! Mas o que tô vendo é que o BOTECO-SOCIALISTA é bom de acertos mesmo, viu? Ou não afirmamos aqui que João Paulo do PT não seria candidato a senador? Ahahah, podem procurar aqui antes que a gente tem notícias fresquinhas, as vezes nas entrelinhas mas sempre soltamos umas pistas, viu?

Ainda na política, a nacional, deu confusão, né? O PSDB caiu no desespero total, agredindo o PAC e, lógico, a candidata mãe da criança, Dilma. Mas já? É cedo. Talvez o desespero de Sérgio Guerra seja por entender que seu mandato está com os dias contados, né não? Só pode. Tomou umas e saiu "falando" desembestado cobras e lagartos. Claro que o PT não ia deixar barato e chamou o oportunista senador Jarbista de "jagunço". Não com relação a região Nordeste como alguns estão insinuando, mas como aqueles capangas do interior. Bom, até onde eu sei tem interior em TODOS os estados do país. Ou não? Tá certo que o interior de alguns estados não deve ser muito diferente de suas capitais, mas a grosso modo essa relação funciona.

Sobre o Haiti, é uma lástima, um povo tão sofrido ainda ter que passar por mais essa? Se Deus programou algo pra esse povo, que está tendo que aguentar tamanho sofrimento, espero que leve logo a bonança e que dê paz pra turma de lá. Triste demais as cenas e situação atual.

Acho que é isso, vamos que vamos, num fuso diferente do brasileiro até depois do carnaval. Pois janeiro é sempre assim...
...moleza e perspectiva por um bom carnaval, onde quer que seja!

Pra quem não me segue ainda no twitter o endereço é www.twitter.com/leobulhoes Me segue por lá! Abraços!!!

domingo, 17 de janeiro de 2010

E se eu pudesse.

Seguindo o clima do blog, segue um poema pra Jéssika, meu amor:

E se eu pudesse sorrir teu riso
Enxugar tuas lágrimas e sentir tua dor
E se, no teu colo, eu pudesse deitar
Toda aflição e todo perigo.

Poderia pelejar
Para que o instante dure
Para que o infinito chegue
Para que um olhar nos segure

Poderia pedir
pra que a solidão nos deixe
Sozinhos, a nós dois
Procurando nenhum depois

E se eu pudesse te dizer
Tudo isso apenas com os olhos
Ou desenhar palavras num papel
Suplico-te que vejas, e que estejas
Sempre por perto, pra não se esquecer.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Hugo Chávez.

Aqui vai o meu primeiro "copia e cola" do blog. É um texto bem antigo (Agosto/2007), embora achei que mereceria estar por aqui. Abraço a todos!

Hugo Chávez
por Ignacio Ramonet

Poucos governantes, em todo o mundo, são alvo de campanhas de demolição tão odiosas como o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Os seus inimigos têm recorrido a tudo: golpe de Estado, greve petrolífera, fuga de capitais, tentativas de atentados... Desde os ataques lançados por Washington contra Fidel Castro não se via na América Latina uma tal obstinação. São difundidas contra Chávez as calúnias mais miseráveis, concebidas pelas novas oficinas de propaganda – National Endowment for Democracy (NED), Freedom House, etc. – financiadas pela administração do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Esta máquina de difamação, que dispõe de ilimitados recursos financeiros, manipula os transmissores mediáticos (inclusive jornais de referência) e organizações de defesa dos direitos humanos, que por seu turno se alistam ao serviço de tenebrosos desígnios. Acontecendo também, ruína do socialismo, que uma parte da esquerda social-democrata junte a sua voz a este coro de difamadores.

Porquê tanto ódio? Porque na altura em que a social-democracia está a passar na Europa por uma crise de identidade, as circunstâncias históricas parecem ter atribuído a Hugo Chávez a responsabilidade de assumir, à escala internacional, a reinvenção da esquerda. Ao mesmo tempo que no Velho Continente a construção europeia teve como efeito tornar praticamente impossível qualquer alternativa ao neoliberalismo, inspiradas no exemplo venezuelano sucedem-se no Brasil, na Argentina, na Bolívia e no Equador experiências que mantêm viva a esperança de realizar a emancipação dos mais humildes.

A este respeito, o balanço de Chávez é espectacular, sendo compreensível que em dezenas de países pobres ele se tenha tornado uma referência obrigatória. Pois não reconstruiu ele, respeitando escrupulosamente a democracia e todas as liberdades [1], a nação venezuelana com novas bases, legitimadas por uma nova Constituição que garante a implicação popular na transformação social? Não devolveu ele a dignidade de cidadãos a cerca de cinco milhões de marginalizados (entre os quais as populações indígenas) que não tinham documentos de identidade? Não assumiu ele a empresa pública Petroleos de Venezuela S.A. (PDVSA)? Não desprivatizou ele e entregou ao serviço público a principal empresa de telecomunicações do país, bem como a empresa de electricidade de Caracas? Não nacionalizou ele os campos petrolíferos do Orenoco? Em suma, não dedicou ele uma parte dos rendimentos do petróleo à aquisição de uma autonomia efectiva perante as instituições financeiras internacionais e uma outra parte ao financiamento de programas sociais?

Foram distribuídos aos camponeses três milhões de hectares de terras. Milhões de adultos e crianças foram alfabetizados. Milhares de centros médicos foram instalados nos bairros populares. Foram operadas gratuitamente dezenas de milhares de pessoas sem recursos que sofriam de doenças da vista. Os produtos alimentícios de base são subvencionados e propostos às pessoas mais desfavorecidas a preços 42 por cento inferiores aos do mercado. A duração semanal do trabalho passou de 44 para 36 horas, ao mesmo tempo que o salário mínimo subiu para 204 euros por mês (o mais alto da América Latina a seguir à Costa Rica).

Resultados de todas estas medidas: entre 1999 e 2005 a pobreza diminuiu de 42,8 por cento para 33,9 por cento [2], ao mesmo tempo que a população que vive da economia informal caiu de 53 por cento para 40 por cento. Estes recuos da pobreza permitiram apoiar muito o crescimento, que nos três últimos anos foi, em média, de 12 por cento, situando-se entre os mais elevados do mundo, estimulado também por um consumo que aumentou 18 por cento por ano [3].

Perante tais resultados, sem falar dos alcançados na política internacional, será de espantar que o presidente Hugo Chávez se tenha tornado para os donos do mundo e seus fiéis acólitos um homem a abater?

Procurei e Encontrei, sem sair do meu lugar! 5 anos Eu e Ana. :D

Amo D+ minha Ana!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

What we need is love




Pessoal,

venho hoje voltar às minhas postagens no BOTECO com um brinde mais do que especial...há 2 anos encontrei uma pessoa que mudou o rumo da minha vida: Mari.

No dia 15.01 de 2009 me inspirei e escrevi o texto abaixo, que, hoje, reforço, reafirmo e assino embaixo.

Segue o texto:

" Há um ano, quem era “a pessoa certa na hora errada” virou a pessoa certa de todas as horas
A estrela que brilha só para mim
A flor vermelha em meio ao imenso mar branco
A arrebatadora paixão que me fez “perder o controle da situação”
A personificação da poesia
A apaixonante mania de ser feliz
A voz encantadora
A maneira envolvente de dançar
A beleza de menina
A astúcia de mulher
A pessoa que fez o pôr do sol tomar outro significado
Aquela que me despiu
A companheira de roteiros e viagens
A que me faz querer ser sempre mais
A que me deu outra perspectiva de vida
A musa inspiradora
A que povoa os meus sonhos e planos
A que me faz dar demonstrações públicas de amor
De amor...do amor
Do amor puro, simples e verdadeiro"

Diego

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Vou dizer apenas essa vez, tá legal gente?

Bom, vou escrever apenas essa vez. Um camarada me mandou um email perguntando sobre racha no PCdoB ou formação de grupo.

UMA VERGONHA, UM LIXO quem faz esse tipo de politicagem. Espalhar notícias falsas e maliciosas.

IGNOREM e NÃO RESPEITEM MAIS quem está fazendo esse tipo de propaganda deletéria, NAZI-FASCISTA. IGNOREM e NÃO RESPEITEM quem fala pelas costas, quem solta piadinhas, mas TEM MEDO de falar na frente, GENTE COVARDE e apequenada. NÃO RESPEITEM FOFOCAS e FOFOQUEIROS.

Recado dado.

Vamos voltar aos bons e interessantes textos do Blog. Sei que esse blog é "legal" e que muitos o leem. Tá dado o recado. Vão cuidar da vida, da militância e de conquistar corações e mentes pro socialismo que é mais importante, NUNCA SE ESQUEÇAM DISSO.

COMÉDIA - Pérolas do ENEM 2009.

O tema da redação do Enem 2009 foi Aquecimento Global, e como
acontece todo ano, não faltaram preciosidades. Lá vão:

1) "o problema da amazônia tem uma percussão mundial. Várias Ongs já
se estalaram na floresta." (percussão e estalos. Vai ficar animado o negócio)

2) "A amazônia é explorada de forma piedosa." (boa)

3) "Vamos nos unir juntos de mãos dadas para salvar planeta." (tamo
junto nessa, companheiro. Mais juntos, impossível)

4) "A floresta tá ali paradinha no lugar dela e vem o homem e
créu." (e na velocidade 5!)

5) "Tem que destruir os destruidores por que o destruimento salva a
floresta." (pra deixar bem claro o tamanho da destruição)

6) "O grande excesso de desmatamento exagerado é a causa da
devastação." (pleonasmo é a lei)

7) "Espero que o desmatamento seja instinto." (selvagem)

8) "A floresta está cheia de animais já extintos. Tem que parar de
desmatar para que os animais que estão extintos possam se
reproduzirem e aumentarem seu número respirando um ar mais
limpo." (o verdadeiro milagre da vida)

9) "A emoção de poluentes atmosféricos aquece a floresta." (também
fiquei emocionado com essa)

10) "Tem empresas que contribui para a realização de árvores
renováveis." (todo mundo na vida tem que ter um filho, escrever um
livro, e realizar uma árvore renovável)

11) "Animais ficam sem comida e sem dormida por causa das
queimadas." (esqueceu que também ficam sem o home theater e os dvd's
da coleção do Chaves)

12) "Precisamos de oxigênio para nossa vida eterna." (amém)

13) "Os desmatadores cortam árvores naturais da natureza." (e as
renováveis?)

14) "A principal vítima do desmatamento é a vida ecológica." (deve
ser culpa da morte ecológica)

15) "A amazônia tem valor ambiental ilastimável." (ignorem, por
favor)

16) "Explorar sem atingir árvores sedentárias." (peguem só as que
estiverem fazendo caminhadas e flexões)

17) "Os estrangeiros já demonstraram diversas fezes enteresse pela
amazônia." (o quê?)

18) "Paremos e reflitemos." (beleza)

19) "A floresta amazônica não pode ser destruída por pessoas não
autorizadas." (onde está o Guarda Belo nessas horas?)

20) "Retirada claudestina de árvores." (caraulio)

21) "Temos que criar leis legais contra isso." (bacana)

22) "A camada de ozonel." (Chris O'Zonnell?)

23) "a amazônia está sendo devastada por pessoas que não tem senso
de humor.." (a solução é colocar lá o pessoal da Zorra Total pra
cortar árvores)

24) "A cada hora, muitas árvores são derrubadas por mãos poluídas,
sem coração." (para fabricar o papel que ele fica escrevendo
asneiras)

25) "A amazônia está sofrendo um grande, enorme e profundíssimo
desmatamento devastador, intenso e imperdoável." (campeão da
categoria "maior enchedor de lingüiça")

26) "Vamos gritar não à devastação e sim à reflorestação." (NÃO!)

27) "Uma vez que se paga uma punição xis, se ganha depois vários
xises." (gênio da matemática)

28) "A natureza está cobrando uma atitude mais energética dos
governantes." (red bull neles - dizem as árvores)

29) "O povo amazônico está sendo usado como bote expiatório" (ótima)

30) "O aumento da temperatura na terra está cada vez mais
aumentando." (subindo!)

31) "Na floresta amazônica tem muitos animais: passarinhos, leões,
ursos, etc." (deve ser a globalização)

32) "Convivemos com a merchendagem e a politicagem." (gzus)

33) "Na cama dos deputados foram votadas muitas leis." (imaginem as
que foram votadas no banheiro deles)

34) "Os dismatamentos é a fonte de inlegalidade e distruição da
froresta amazonia." (oh god)

35) "O que vamos deixar para nossos antecedentes?" (dicionários)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Capitalismo e desemprego: a história se repete como tragédia.

Por Osvaldo Bertolino, em www.vermelho.org.br


Em recente artigo no The New York Times, Paul Krugman comentou o relatório do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, alertando que a criação de alguns postos de trabalho pela primeira vez em dois anos poderia suscitar apelos por um fim ao estímulo econômico e pela reversão dos passos que o governo e o Fed (Banco Central norte-americano) estão tomando para impulsionar a economia. Qual o problema?

Se esses apelos forem considerados, repete-se o grande equívoco de 1937, quando o Fed e a administração do presidente Franklin Roosevelt decidiram que a Grande Depressão havia acabado e que já era hora de a economia jogar fora suas muletas, explicou Krugman. Os gastos foram cortados, a política monetária foi apertada, e a economia imediatamente mergulhou de novo nas profundezas.

O economista lembrou que tanto Ben Bernanke, o presidente do Fed, quanto Christina Romer, que lidera o Conselho de Assessores Econômicos do presidente Barack Obama, são estudiosos da Grande Depressão. Cristina foi explicitamente alertada contra a possibilidade de reeditar os acontecimentos de 1937, lembrou. “Porém, aqueles que lembram o passado ainda assim o repetem algumas vezes”, advertiu Krugman.

Reflexo da crise no emprego

A advertência é séria. Em 1937, os Estados Unidos estavam no auge do debate sobre os efeitos do desemprego no prolongamento da crise econômica. Semelhanças com o estado atual da crise, com potencial para se prolongar por tempo indefinido com conseqüências catastróficas para as demais economias, chamam a atenção e fazem pensar.

Informa o site Cubadebate que o número de estadunidenses e de empresas que solicitaram declaração de falência aumentou em 32% no ano passado. Foram apresentados 1,4 milhão de pedidos de falência, mais do que em qualquer outro ano, após o Congresso rever as leis da falência, em 2005. No Arizona, o número de falências aumentou subitamente em 77% e na Califórnia, Wyoming e Nevada, em mais de 50%.

A crise tem reflexos imediatos no índice de emprego. Foram cortadas 85 mil vagas apenas em dezembro, segundo o relatório do PIB norte-americano. O número de novembro foi revisto para melhor, apontando 4 mil contratações ante informação preliminar de 11 mil demissões. Mas houve revisões também em outubro, o que fez com que nesses dois meses a economia tenha perdido mil empregos a mais que o inicialmente divulgado.

Bancos encalacrados

Em dezembro, a taxa de desemprego ficou estável em 10%. O desemprego nos Estados Unidos chegou a dois dígitos (10,2%, em outubro, o maior nível desde abril de 1983). O presidente Barack Obama classificou a taxa como “um duro apelo à realidade”, lembrando que um bom nível de emprego acarreta, tradicionalmente, a retomada econômica.

Desde o início da recessão nos Estados Unidos, em dezembro de 2007, o desemprego no país já avançou 5,3 pontos percentuais, com 8,2 milhões de demissões. Para o economista Adriano Benayon, da Universidade de Brasília (UnB), os bancos usaram os recursos dos bancos centrais, nos Estados Unidos e na Europa, para inflar novas bolhas especulativas, em detrimento do financiamento à produção e à conseqüente geração de empregos.

“Os BCs emitiram muito dinheiro e o repassaram aos bancos encalacrados com títulos tóxicos. Empresas produtivas hoje são risco alto para eles. É uma política contrária à sociedade. Em vez de crédito público para financiar diretamente a produção e fomentar emprego, contemplou-se apenas a oligarquia”, critica Benayon, acrescentando que, nos seis primeiros meses após à quebra do Lehmann Brothers, em 15 de setembro de 2008, somente o Fed emitiu US$ 8 trilhões.

Alta constante do desemprego

Frisando que “os bancos procuram sempre o que lhes parece mais seguro ou rentável”, o economista apontou um paradoxo na crise atual: “Quando há recessão, normalmente preços de ações e commodities caem, mas nesta ocorreu o contrário.” Benayon disse, ainda, que os especuladores estão contraindo empréstimos em dólar, com juro negativo, e investindo em ações e em títulos de países, como o Brasil, nos quais há tendência de valorização cambial. “É um ganho duplo de capital: com juros e valorização da moeda local. É uma guerra cambial na qual o Brasil entra de gaiato, graças ao BC”, resumiu.

Na Zona do Euro, o índice de desemprego também voltou a bater recorde e chegou em novembro pela primeira vez a 10%, anunciou a agência europeia de estatísticas, Eurostat. O nível de desemprego em novembro é o mais elevado desde agosto de 1998, que estabeleceu registros para os meses anteriores à criação da Zona Euro em 1999.

Em outubro, o desemprego na Eurozona, integrada por 16 países, afetava 9,9% da população ativa, segundo dados revisados para cima. O desemprego registra uma alta constante desde o agravamento da crise financeira mundial de 2008. Em novembro de 2008, o índice era de 8%.

Uma Áustria e Irlanda sem emprego

Na União Europeia (UE), integrada por 27 países (incluindo os 16 da Zona Euro), o desemprego em novembro foi de 9,5%, contra 9,4% em outubro. O número também é um recorde desde o início da atual série estatística, iniciada em janeiro de 2000. Os desempregados da Zona Euro somam 15,712 milhões, uma alta de 102 mil em novembro na copmparação com outubro. Na UE, são 22,899 milhões — com variação positiva de 185 mil desempregados.

A Europa tem uma Áustria e Irlanda sem emprego Apesar dos discursos róseos sobre o fim da crise, os Estados Unidos e a Zona do Euro fecharam 2009 com desemprego próximo dos dois dígitos. Além de o desemprego ter permanecido em 10% em dezembro, ele ainda não atingiu o pico, alertou o economista Ken Goldstein, da organização de pesquisa e projeções econômicas Conference Board. A taxa ficou pouco abaixo dos 10,1% de outubro de 2009, mas Goldstein avisa que o número ainda irá avançar para entre 10,3% e 10,4% entre abril e maio.

Falando na conferência “Novo mundo, Novo capitalismo”, na Escola Militar de Paris, o primeiro-ministro português José Sócrates disse que a crise mostrou a importância “do bom e velho Estado” nas políticas de apoio à economia. Muitos “olharam para o Estado à espera de uma resposta” e o “novo capitalismo tem que contar com a presença do Estado”, considerou.

O patrão ficou louco

Qual papel o Estado pode ter nos desdobramentos da crise é uma incógnita. O certo é que no período recente o achincalhe ao Estado pelo neoliberalismo resultou em efeitos desastrosos. Em artigo reproduzido no Monitor Mercatil, Petros Panayotídis diz que a década foi iniciada com a conclusão da gigantesca redistribuição da riqueza social a favor dos ricos por intermédio da "loucura monetária".

Aquilo que o mundo viveu quando jogou e perdeu nas bolsas de valores suas poupanças, pensando ingenuamente que o “patrão ficou louco e está distribuindo dinheiro” foi apenas parcela de um fenômeno mundial, diz ele. “Em todos os países a classe média e até os pobres entregaram suas economias aos empresários. Tratava-se da maior redistribuição da riqueza com métodos pacíficos registrada pela história”, escreve.

Segundo Petros Panayotídis, realiza-se, novamente, uma gigantesca redistribuição da riqueza social, com os pobres tornando-se mais pobres ainda — desta vez por intermédio da crise econômica — e com os ricos tornando-se mais riscos ainda, graças às medidas de salvação do arcabouço financeiro e econômico mundial.

Experiência da Grande Depressão

As contradições internas do capitalismo e o antagonismo capitalista internacional alcançaram um nível no qual as conseqüências recaem pesadamente sobre os trabalhadores. O que acontece hoje é a desvalorização do capital sob todas as formas e a desvalorização da força de trabalho como mercadoria. Aconteceu no passado e voltará a acontecer no futuro, enquanto existir capitalismo.

A contradição entre capital e trabalho manifesta-se, entre outras formas, no fato de que em geral o capitalista e a ideologia de sua classe só enxergam a possibilidade de prosperidade econômica por meio do aumento incessante do grau de exploração dos trabalhadores. A experiência da Grande Depressão de 1929 demonstra essa constatação.

Em outubro daquele ano fatídico, pouco menos de um milhão de pessoas estavam desempregadas nos Estados Unidos. Em dezembro de 1931, mais de dez milhões estavam sem trabalho. Seis meses depois, o número de desempregados havia pulado para 13 milhões. No auge da Depressão, em março de 1933, 15 milhões de trabalhadores estavam desocupados.

Esse crescimento vertiginoso do desemprego levou a central sindical AFL-CIO a acelerar a campanha pela redução da jornada de trabalho, iniciada nos anos 20. Os dirigentes sindicais norte-americanos argumentavam, basicamente, que essa era uma forma para que todos pudessem ter emprego e poder aquisitivo suficiente para dinamizar a economia.

Dia de trabalho mais curto

O matemático e filósofo inglês Bertrand Russell defendeu a redução da jornada de trabalho com essa frase: "Não deveria haver oito horas diárias para alguns e zero para outros, mas quatro horas diárias para todos." Em julho de 1932, o Conselho Executivo da AFL, reunido em Atlantic City, redigiu um documento pedindo ao presidente da República, Herbert Hoover, uma conferência com líderes empresariais e sindicais para debater a necessidade de uma semana de trabalho de 30 horas. A idéia ganhou simpatia entre poucos empresários que, voluntariamente, cortaram a semana de trabalho para não demitir mais trabalhadores.

Uma das empresas que promoveram a redução da jornada foi a Kellog's. Em 1935, a empresa divulgou um estudo detalhado, mostrando que após cinco anos de semana de seis horas por dia o custo unitário das despesas operacionais fora reduzido em 25% (...), os acidentes reduzidos em 41% (...) e 39% mais pessoas do que em 1929 trabalhavam na Kellog's.

"Para nós, isso não é apenas teoria. Provamos isso com cinco anos de experiência concreta. Descobrimos que, com um dia de trabalho mais curto, a eficiência e o moral de nossos funcionários ficam tão elevados que os acidentes e as taxas de seguro declinaram. E com o custo unitário da produção tão reduzido podemos pagar por seis horas de trabalho o mesmo que costumávamos pagar por oito", diz o estudo.

Jornada semanal de 30 horas

Em dezembro de 1932, o senador Hugo Lafayette Black, do Estado do Alabama, apresentou um projeto de lei requerendo a semana de trabalho de 30 horas. O senador dirigiu-se à nação pelo rádio, conclamando os norte-americanos a apoiarem seu projeto — que, segundo suas previsões, se aprovado levaria à imediata readmissão de mais de 6,5 milhões de desempregados. Black disse ainda que esses empregos e suas rendas estimulariam a geração de milhões de novos assalariados.

O Senado aprovou o projeto no dia 6 de abril de 1933. Sua aprovação entusiasmou o país e estremeceu Wall Street. Enviado imediatamente para a Câmara dos Deputados, ele logo foi aprovado na Comissão do Trabalho e os trabalhadores norte-americanos imaginavam que estavam prestes a serem os primeiros do mundo a ter uma jornada semanal de 30 horas. Mas as horas do projeto estavam contadas.

O presidente Franklin Roosevelt, em conluio com líderes empresariais, imediatamente tomou providências para afundar a idéia. Roosevelt pediu à Comissão de Estudos da Câmara que acabasse com o projeto em troca da sua famosa "Lei de Recuperação da Indústria Nacional". O presidente alegou que a redução da jornada afetaria a capacidade dos Estados Unidos de "competir" internacionalmente.

O grande desafio

Já os empresários não viam com bons olhos uma legislação que institucionalizaria a semana de 30 horas. Mais tarde, em 1937, numa sessão especial no Congresso convocada para tratar do agravamento do desemprego, Roosevelt disse que estava arrependido por não ter apoiado o projeto. "O que o país realmente ganha se encorajarmos o empresariado a ampliar a capacidade de produção da indústria e se não fizermos nada para que os rendimentos da nossa população trabalhadora efetivamente aumentem para criar mercados e absorver a produção gerada?", indagou.

No pós-guerra, a intervenção do Estado na economia garantiu, em muitos países, um bom nível de empregabilidade — empregando diretamente ou irrigando a economia com recursos indiretos (obras públicas e indústria bélica, por exemplo). O Estado foi o agente de equilíbrio que absorveu o impacto das crises econômicas e da automação na iniciativa privada.

Com o Estado transformado em comitê de administração da ciranda financeira pelo neoliberalismo, os efeitos da longa crise iniciada em meados da década de 70 aparecem por toda parte — e o desemprego recorde é uma das suas manifestações mais cruéis. O cassino global, uma máquina predadora da economia real sempre esfomeada, dotou os Estados de uma parafernália que funciona dia e noite a serviço da especulação financeira. Enfrentá-lo é o grande desafio, principalmente para os trabalhadores, nos dias que correm.


sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Hoje tem FESTA!!! Apareçam.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Injustiças

Dia desses algo me fez pensar em um emaranhado de coisas: No dia em que o governador Eduardo Campos assinou a gratuidade da UPE, passei o dia todo bebendo, conversando com o camarada Vasco (vulgo gordinho), e quando falávamos sobre algumas coisas da vida, comentamos sobre alguns companheiros, sobre alguns camaradas e chegamos à conclusão de que, por muitas vezes, nós vemos as injustiças acontecerem, dizemos estar indignados, mas não fazemos nada pra mudar. Achei interessante o que o camarada disse sobre estar no time dos que combatem a injustiça na hora em que ela está acontecendo.

Ao falar isso, lembrei-me de um episódio com o camarada Juliano Ribeiro, quando na Cde. da Boa Vista o mesmo questionou um guarda de trânsito por não multar um ônibus que tinha parado na faixa de pedestre. Foi uma das comprovações de que é possível questionar e combater as injustiças nos momentos em que elas acontecem.

Isso só me faz comprovar e reatestar a quantidade de falsos revolucionários, falsos camaradas, falsos companheiros, que vêem as injustiças acontecerem impavidamente, como se estivessem a assistir filmes de aventura, cinema americano. Na verdade, há algo pior: os ditos revolucionários que são agentes dessas injustiças, causadores de tamanha indignação dos que querem, realmente, mudar o mundo. Sim! Para esses, é possível mudar o mundo, sim. E esse é um ensinamento que quero levar pro resto de minha vida: se vires alguma injustiça, combata na hora.

Visto isso, Che Guevara disse a célebre frase: "Se tremes diante de qualquer injustiça, estejas onde for, então somos companheiros". Então como eu prefiro a palavra "camarada" à palavra "companheiro", eu digo: se tremes diante de qualquer injustiça E COMBATE A MESMA, estejas onde for, então somos CAMARADAS.

Um forte abraço e firme na luta!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Virou moda.

Como a gente tá no ritmo das retrospectivas, vale lembrar de um dos últimos acontecimentos políticos do ano, que é o caso Arruda (DEMo - DF) . E venho relembrar esse fato, já tão batido e comentado, porque dia desses eu vi a entrevista do Rodrigo Maia, presidente dos demos. Na supracitada entrevista, o apresentador tentou comparar o mensalão do DEM ao ocorrido no início do governo Lula, e fez uma pergunta inteligente: "Esse fato não joga por terra o discurso da ética que o DEM tava fazendo ao criticar o governo do PT?". - A resposta do presidente dos demos foi a seguinte: nós agimos diferentes, nós nos reunimos para expulsar, para punir os atos de corrupção, o PT não.

Logo, vale a gente relembrar algumas coisas: todos os envolvidos no caso do mensalão do PT estão, ainda, enfrentando os trâmites legais das acusações. Palocci, Dirceu, Delúbio, Genuíno, todos eles foram afastados ou se afastaram de seus cargos, mas continuaram no PT, afinal de contas, contribuíram, e muito, para que o PT fosse o partido que é hoje e estiveram na linha de frente que elegeu o Lula em 2002. O DEMo deu 8 dias para que o Arruda se defendesse, fez reuniões, conversas e mais conversas e, na verdade, foi o Arruda quem pediu para sair. Inclusive, ameaçando jogar merda no ventilador e dizer a verdade sobre alguns paladinos da justiça e dos bons costumes do DEM.

A verdade é que com essa expulsão, o DEMo tenta vender a imagem de que é um caso isolado e de que o partido estará sempre combatendo a corrupção. É no mínimo irônico ouvir isso de um partido dos grandes coronéis e filhos da Ditadura. Esse caso não é um caso isolado, e eu gostaria muito de ver mais gente caindo. Estou agurdando.

O nome deste texto não é à toa, é que o PSB também decidiu expulsar um deputado do partido. É preciso investigar até que ponto os partidos estão envolvidos com os acontecimentos. Até porque, definitivamente, não confio no DEMo.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

FELIZ 2010 BOTEQUEIROS SOCIALISTAS!!!

Retrospectiva 2009 - Por Leo Bulhões.

Oi gente, tudo bem? Acho que este será o meu último texto antes da mensagem de fim de ano, ainda bem, e pensei em fazer uma retrospectiva, tratando de fatos globais, locais e pessoais que marcaram este ano de 2009.

Bom, primeiramente gostaria aqui de lembrar que vivemos num mundo e num Brasil diferentes. Num mundo mais quente, com climas mais loucos e com desastres naturais nunca antes observados, fenômenos causados pela ira da natureza ao responder à humanidade por suas ações inconsequentes. E o Brasil? Um amigo meu certa vez, no congresso de reconstrução da UEP (União dos Estudantes de Pernambuco) - Gustavo Petta, disse que nós não vivemos no Brasil dos nossos sonhos, mas que nem por isso deveríamos deixar de lutar pra chegar o mais próximo possível disso, é lutando que se conquista o sonho, e o povo Brasileiro, o governo Lula lutou e trasformou muito o nosso país, mudou pra melhor a realidade de milhões de brasileiros e isso é construir na luta o sonho de muitas pessoas. Se não vivemos ainda no Brasil de nossos sonhos, como dizia Gustavo, acredito que estamos no rumo certo.

Pra mim a retrospectiva tem que começar com meu aniversário! :D Quem disse que o ano só começa depois do carnaval tá errado, começa no meu aniversário, dá uma pausa pra ressaca, brinca mais um "pouquinho" no carnaval, mais uma pausa pra ressaca e depois, aí sim, o ano recomeça! Né, não gente?

É, janeiro começou com meu aniversário, posse de Obama, passeata estudantil contra o aumento de passagens (Que não deu em nada. Temos que lembrar que ENTIDADE ESTUDANTIL NÃO É GOVERNO, tem que DEFENDER OS ESTUDANTES.) e minha ida ao projeto Rondon. Sem dúvidas um janeiro memorável.

Entro em fevereiro e março, ainda no projeto rondon, realmente fascinante. Quem tiver a oportunidade de participar, vá! É uma experiência única e essêncial pra quem admite que a vida deve ser construída no coletivo! Março uma grande polêmica tomou conta da sociedade pernambucana quando um padre decidiu excomungar equipe médica que decidiu realizar aborto em menina de 9 anos de idade.

No cinema em Abril foi lançado "CHE - O Argentino" e posteriormente "CHE - O Guerrilheiro", dois filmes que em continuidade contam a história de Che Guevara (é nada?). Maio de importante só o PRIMEIRO DE MAIO - dia do trabalhador. Só isso mesmo.

Junho e Julho: Em junho nasce uma revolução no Boteco-socialista, pois, antes recebíamos diversos textos de convidados que de tanto lerem e se interessarem pelos assuntos expostos aqui, também se sentiram estimulados a escrever, massa isso! Mas em Junho, além do São João e seu fumacê, foi o mês em que o boteco ficou "mais cheio", com mais administradores, digamos assim, a partir de junho de 2009 o boteco abriu as portas de vez e decidiu que "aqui quem manda é o freguês" ou melhor, o escritor/colunista. Aqueles que se identificaram com as idéias e ideais lançados no boteco foram convidados e continuam sendo até hoje pra se tornarem escritores e editores do boteco-socialista. Tem conceito melhor de "blog coletivo" do que este, gente?

Além disso, ainda em junho, escrevi um dos meus textos mais importantes. Meu retorno a vida política propriamente dita, voltando a trabalhar após 11 meses, pra mim até hoje inexplicavelmente, esquecido. Se tiverem respostas, terceiros, que me digam, aceito recebê-las por email. :D Contanto que as coisas fiquem mais claras, mais transparentes. Bom, não guardo recentimentos, importante é que a vida continua e pulsa vibrante com o novo trabalho, o novo desafio, continuidade de projetos, pois, é preciso novas atitudes políticas pra mudar a cara do Brasil! Fui convidado pelo Vereador Vicente André Gomes, do meu partido, do PCdoB, convidado por um comunista convicto, formado por ideais fortes e forjado pela luta diária ajudando o povo que mais precisa e que menos possui. Esse sentimento é essencial gente, acreditem, não consigo enxergar como alguns dizem tentar mudar o mundo sem tentar melhorar o mundo ao seu redor. E Vicente é um exemplo de quem faz isso, quem exercita todo santo dia sua profissão em benefício de muita gente. Tô com ele na luta! Por isso escrevi o texto "HOMEM TRABALHANDO", lembram?

Tem mais, junho foi agitado. Sarney entrou em crise com os escâncalos dos atos secretos no Senado, Michael Jackson morreu e salvou Sarney, pois a turma esqueceu Zé e ficou com o Michael na mídia tempo suficiente pras coisas esfriarem. O diploma de jornalista foi pro espaço e como citei antes, entraram no BLog Hugo Daher, Nilson Vellazquez e Carlos Daniel Baiano.

Em julho entra em ação Giordano Bruno, pra ajudar nos trabalhos com excelentes textos, num formato diferenciado, trazendo mais contos e poesias pro Boteco-socialista, um bem mais que necessário nas nossas mesas, salve salve! Além de Giordano, teve o aniversário de 3 anos do nosso boteco, que vem fazendo história, hein? Fizemos mais uma festa de aniversário, foi bom demais! Comemoramos o lançamento do Livro de Júnior Di Castro ou Júnior Lenine, como é mais conhecido por essas bandas do Blog, com o tema "Magra, Leve e Calma" de poesias, mas poesia maior é ver um jovem se esforçando pra publicar um livro no Brasil, isso sim é um poema bonito de ser lido um dia. Bom, teve congresso da UNE, e vitória da UJS, claro! :D Não tem jeito, com todas as dificuldades nós somos, ainda, mais organizados que nossos adversários de momento. Força que cresce...

Só pra fechar bem o mesmo de julho, houve a convocação pra Luciana Santos - PCdoB e João Paulo - PT pro governo Eduardo Campos - PSB. Cheque em Jarbas.

AGOSTO e SETEMBRO: São dos estudantes, da juventude! Festa pela UNE e UBES, como sempre, e da minha querida UJS, que pela primeira vez na sua história, aqui em Pernambuco recebeu as honras de presidir uma sessão solene em sua própria homenagem, pelos 25 anos de sua existência, na câmara dos vereadores do Recife, por apoio de Vicente e encorajado por mim, por Bárbara, Juliano e Felipe Vasco. É importante registrar que estes deram sangue para que a atividade acontecesse, esses tem todo o meu respeito! Ah, não poderia deixar de agradecer Marivaldo e Bryan pela mobilização e a Júnior di Castro / Mari Bigio / Diego Santos pelos poemas pra nossa união da juventude socialista. Como falei de Mari, vale lembra que neste mês, se não me engano, foi ao ar o programa na TVU chamado "Pé na Rua", muito massa, falando com pessoas das comunidades, personalidades do mundo real, dos que realmente têm histórias de vida que servem de exemplos e precisam ser contadas. Esse programa presta um grande serviço ao nosso povo, tenham certeza!

O Twitter virou febre nacional! Todos querem ter um, inclusive o presidente nacional do PCdoB, Renatão. É, o mundo é dos tuiteiros!!!

Em setembro, além do aniversário e homenagem a UJS pelos 25 anos, ainda tivemos outras coisas bem importantes como a ida de Marina Silva pro PV e a vinda de Protógenes Queiroz (em primeira mão aqui pelo Boteco-socialista) para o PCdoB. Além disso o debate do pré-sal bombou, agora é sério, esse troço vai transformar o Brasil, isso que nós estamos vendo hoje será um passado estranho daqui alguns anos, mas onde NÓS vamos estar? Teremos projetos de nação, projetos de Estado? Ou apenas alguns vão sair ganhando com tudo isso e a maioria, mais uma vez, vai se lascar? O povo tem que pensar e agir! Pra isso servem as boas políticas e os bons políticos, se aproximem dessas duas coisas, povo! Tô avisando.

OUTUBRO e NOVEMBRO: Em outubro vibramos com a vitória do Brasil ao conquistar a possibilidade de sediar os jogos olímpicos em 2016, vitória do governo, vitória do povo e muito, muito trabalho pela frente! Além disso Lula se meteu com o Zelaya e até hoje o danado tá hospedado na nossa embaixada lá em Honduras. O Itamaraty tem que resolver esse pepino. O certo é que Zelaya sofreu um golpe e isso não pode ser esquecido, o nosso governo está do lado certo, não podemos apoiar golpes e sim ser solidários com aqueles que sofrem deste mal.

Em novembro observamos atos de ignorância e intolerância tanto com a estudante, e hoje celebridade relâmpago, Geyse Arruda, do vestidinho rosa, com também através da novela global "viver a vida" em que a protagonista negra é obrigada a se ajoelhar pra levar uma tapa no rosto, dada por uma branca rica, exemplos como estes o Brasil não precisa mais ver, já basta, já deu, já encheu o saco ter que presenciar coisas assim. É revoltante!

Mas calma, não só de revoltas vive esse escritor, teve a parte boa que foi a aquisição da camarada Jéssika, presença feminina entre os escritores do Blog. É muito bom ter uma visão em perspectiva um pouco diferente pra dar uma temperada maior no boteco-socialista!

E em DEZEMBRO? Em dezembro os blogueiros tiraram o pé do acelerador. Na verdade alguns deles, pois outros como Hugo e Baiano, já haviam tirado há tempos, um por conta do trabalho, diz ele, e o outro justamente pela falta do mesmo, acredito. Mas nesse último mês do ano observamos com felicidade algumas realizações do Governo Eduardo Campos, que concedeu a gratuidade na UPE, diga-se de passagem atendendo a um pleito histórico do movimento estudantil, como mesmo lembrou o atual presidente da UNE, Augusto Chagas, que desde a Bienal da UNE aqui em Recife e Olinda - PE, que ele ouve falar dessa luta, onde realizamos uma Culturata em que o tema principal foi justamente a gratuidade da UPE, isso em 2003, fico feliz em saber que o presidente tem memória e reconhece a luta onde ela existe. Fui o coordenador geral daquela bienal e tenho muito orgulho de ter realizado atividade tão grandiosa com tantos apoiadores, militantes e mais de 150 voluntários universitários construíndo aquele imenso projeto. Mas voltando ao governo de Pernambuco, Eduardo além de dar a gratuidade na UPE, ainda conseguiu finalmente diminuir a violência no estado e construiu um grande hospital de emergência pra "desafogar" o velho Hospital da Restauração, que não estava mais restaurando ninguém direito!

O blogueiro que vos fala se mudou, trocou de moradia, fisicamente saio da Cidade Universitária e venho pra Madalena, mas não tiro a querida CDU do coração. :D Foi lá que construí boa parte da minha campanha e é de lá que partiremos pra vitória na próxima, juntamente com a comunidade irmã do Jordão Baixo onde estamos montando um instituto pra buscar ajudar as pessoas daquela comunidade de gente tão querida.

Meus amigos, 2010 promete. O Blog boteco-socialista vem se consolidando, é lido por muita gente, comentado demais entre vários circulos sociais e só prova que esta é uma forma de comunicação eficiente, basta que tenha conteúdo, opinião, sentimento nas palavras, e isso o nosso boteco tem de sobra, perdoem a falta de modéstia, é que o momento permite!

Deixo um grande abraço e o desejo que 2010 seja de muitos textos inspirados e de palavras felizes, boas notícias e de textos históricos, memoráveis que nos façam tremer, sorrir e chorar ao serem lidos e relidos, essa é a essência disso tudo, afinal pra que serve a vida se a gente não esperimenta as boas sensações, os bons sentimentos.

Neste fim de ano, largo aqui os meus sentimentos de raiva e de tristeza pra poder começar 2010 com o TURBO LIGADO!!!

É assim que vai ser, "nitro na veia" pra fazer tudo com energia, alegria e sobriedade!

FIRMES SEMPRE, SEMPRE e SEMPRE! 2010 é NOSSO, ACREDITEM!

Do amigo blogueiro Leo Bulhões. Indo passar o reveillon em João Pessoa. Volto dia 4 (meu aniversário, não esqueçam!)




















sábado, 19 de dezembro de 2009

Conferência de Comunicação

Estas propostas se tornaram resolução ao receber mais de 80% de aprovação dos delegados em um dos GT’s. Algumas aprovações chegam a surpreender, por serem pautas tradicionalmente rechaçadas pelo empresariado e mesmo por órgãos governamentais.

Por exemplo, foi aprovada a criação de um Conselho Nacional de Comunicação com funções de monitoramento e também de deliberação acerca das políticas públicas do setor. Também passou por consenso nos grupos uma proposta de divisão do espectro radioelétrico entre os sistemas público, privado e estatal numa proporção de 40-40-20.

Outra proposta aprovada nos GTs foi a positivação do direito à comunicação na Constituição Federal.

Veja algumas das propostas aprovadas:

- Divisão do espectro radioelétrico obedecendo a proporção de 40% para o sistema público, 40% para o sistema privado e 20% para o sistema estatal.

- Reconhecimento do direito humano à comunicação como direito fundamental na Constituição Federal.

- Criação do Conselho Nacional de Comunicação, bem como dos conselhos estaduais, distrital e municipais, que funcionem com instâncias de formulação, deliberação e monitoramento de políticas de comunicações no país. Conselhos serão formados com garantia de ampla participação de todos os setores.

- Instalação de ouvidorias e serviços de atendimento ao cidadão por todos os concessionários.

- Incentivo à criação e manutenção de observatórios de mídia dentro das universidades públicas.

- Criação de fundo público para financiamento da produção independente, educacional e cultural.

- Definição de produção independente: é aquela produzida por micro e pequenas empresas, ONGs e outras entidades sem fins lucrativos.

- Garantia de neutralidade das redes.

- Estabelecimento de um marco civil da internet.

- Fundo de apoio às rádios comunitárias.

- Criminalização do “jabá”.

- Isenção das rádios comunitárias de pagamento de direitos autorais.

- Produção financiada com dinheiro público não poderá cobrar direitos autorais para exibição em escolas, fóruns e veículos da sociedade civil não-empresarial.

- Criação de um operador de rede digital para as emissoras públicas gerido pela EBC.

- Estabelecer mecanismos de gestão da EBC que contem com uma participação maior da sociedade.

- Limite para a participação das empresas no mercado publicitário: uma empresa só poderá ter até 50% das verbas de publicidade privada e pública.

- Proibição da publicidade dirigida a menores de 12 anos.

- Desburocratização dos processos de autorização para rádios comunitárias.

- Que a Empresa Brasileira de Correios ofereça tarifas diferenciadas para pequenas empresas de comunicação.

- Criar mecanismos menos onerosos para verificação de circulação e audiência de veículos de comunicação.

- Garantir emissoras públicas que estão na TV por assinatura em canais abertos.

- Criar mecanismos para a interatividade plena na TV digital.

- Fim dos pacotes fechados na TV por assinatura.

- Manutenção de cota de telas para filmes nacionais.

- Adoção de critérios de mídia técnica para a divisão da publicidade governamental nas três esferas.

- Promover campanha nos canais de rádio e TV, em horários nobres, divulgando documentos sobre direitos humanos.

- Inclusão digital como política pública de Estado, que garanta acesso universal.

- Buscar a volta da exigência do diploma para exercício de jornalismo.

- Garantir ações afirmativas nas empresas de comunicação.

Criação de Observatório de Mídia da Igualdade Racial.

- Na renovação das concessões, considerar as questões raciais.

- Centro de pesquisa multidisciplinar sobre as questões da infância na mídia.

- Criação do Instituto de Estudos e Pesquisa de Comunicação Pública com ênfase no incentivo à pesquisa.

- Aperfeiçoar as regras da classificação indicativa.

FONTE: www.vermelho.org.br

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Gratuidade da UPE: Vitória de todos!

14/12/2009, dia histórico. Fiz questão de escrever sobre o mesmo, afinal, enquanto estudante desta universidade tenho a consciência do momento valoroso que presenciei na manhã de ontem no auditório da Faculdade de Administração da Universidade de Pernambuco: Finalmente, a UPE será gratuita.
O governador Eduardo Campos assinou o decreto que isenta todos os estudantes do pagamento de taxas.
Essa luta é longa, mas pasmem, ainda não se findou. Há mais de 18 anos quando a UPE, tornou-se universidade de fato, que se luta pela gratuidade. Campanhas, inúmeras passeatas, bordões ("única universidade pública onde se paga mensalidade") entre outros, foram vistos. A luta não foi pequena. A bandeira da gratuidade da UPE, há alguns anos foi sendo descredibilizada por aqueles que denunciavam que a verdadeira luta deveria ser pela AUTONOMIA dessa universidade, já que a mesma garantiria a Gratuidade de fato e de direito. Não pensavam esses, que tal projeto de autonomia da UPE não garantiria a gratuidade, porque se assim fosse, a constituição já valeria, quando se lê claramente que a instituições públicas devem ser gratuitas. Na UPE isso não valia. Na UPE a contradição reinava, e os conservadores insistiam em defender o pagamento do ensino, sempre obedecendo fielmente a lógica privatista da educação.
A UPE já passou por maus bocados, como a tentativa de privatização ocorrida no final da década de 90, e com o sucateamento sofrido durante o governo de Jarbas/Medonça. Com a vitória de Eduardo Campos e suas promessas de gratuidade, eleitos em 2006, uma nova esperança surgia, uma esperança de finalmente vê a nossa universidade tomando novos rumos, os rumos do desenvolvimento, do progresso, da educação gratuita e de qualidade.
Os problemas da Universidade de Pernambuco não são pequenos. A Universidade que mais está interiorizada, sofre hoje com grande descaso por parte das autoridades, com falta de investimentos, de estrutura, e de políticas de Assistência estudantil. É verdade também, que o atual governo não foi dos melhores pra nossa UPE, mas é inegável o papel que o mesmo jogou assinando a gratuidade do ensino. Claro que por trás desse decreto, existe um grande jogo político, uma promessa de campanha, um trabalho pesado de marketing, onde o nosso governador não ia deixar passar em branco. Mas se faz necessário acima de tudo grifar a grande vitória que todos os setores dessa universidade tiveram na manhã de ontem. Uma luta histórica, uma grande passo pra conseguirmos a AUTONOMIA dessa universidade, que agora é o objetivo. Bandeira justa e difícil, mas a luta continua! Que essa autonomia venha, mas de forma transparente, e responsável. Que a UPE responda com muita qualidade à sociedade, todo o dinheiro que a mesma paga (caro) para custear o ensino desses estudantes. Que os mesmos façam jus ao esforços de todos aqueles que trabalham duro para manter essa universidade viva.
Que seja feito também muita festa! O governador Eduardo, e principalmente, Luciana Santos, se apresentaram com muito esclarecimento, por compreenderem que a cobrança de mensalidades corresponde a política privatista de educação, que vai de encontro ao nosso projeto de soberania nacional. Mas, Parabéns acima de tudo ao Movimento Estudantil! O mesmo que em resposta a todos que querem destruir a nossa universidade, e sucatear a educação,não titubeou, se mantendo firme na defesa de um direito NOSSO.
Conquista de umas das maiores bandeiras de luta do Movimento Estudantil Pernambucano!
Vitória do Povo!
Viva a Gratuidade da Universidade de Pernambuco!
Viva o MOVIMENTO ESTUDANTIL!
Vida longa à nossa luta!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Panetones, meias, cuecas e de quebra mais corrupção.

Oi gente, blz?

Seguinte, estão de brincadeira, né? Antes de mais nada deixa eu dizer uma coisa: É muito difícil fazer política limpa no Brasil, viu? Cada vez que a gente pensa que já viu de tudo, que a turma tinha se superado me aparece mais um caso sinistro de corrupção no meio político. O tamanho disso tudo que aconteceu e que foi amplamente divulgado pela imprensa nacional sobre o repasse de dinheiro ilegal através de representantes do governo do Distrito Federal e de membros da câmara distrital (DF) é destruidor. Os efeitos serão reconhecidos como fatos históricos, carimbados na sigla DEMOCRATAS ou DEMO como também são conhecidos.

Se antes dessas últimas novidades as agressões e postura política da oposição ao Governo Federal eram pontuais, agora a casa caiu! Vai ser muito complicado atirar pedras num telhado de vidro imenso exposto pelos DEMOS. Só digo uma coisa, bem feito!

E o pior é depois de ver as cenas ouvir atores corruptos afirmarem que os recursos eram pra comprar "panetones" para a população carente. ACORDA DISTRITO FEDERAL!!! Ano que vem tem eleição e não dá mais pra eleger marginal! (Gostaram da rima?)


Tá, mas uma questão ainda está de pé, por que os políticos não aprovaram a reforma política? Não tenho dúvida nenhuma de que o controle através do financiamento público de campanhas iria deixar as mesmas mais modestas e equilibraria um pouco as, hoje, tão desiguais disputas. É sério, pra quem já disputou uma eleição como eu, posso dizer que o poder econômico abusa muito do processo político eleitoral.

É uma esculhambação.

Pra terminar, queria muito ouvir Alexandre Garcia, Miriam Leitão, Lúcia Hipólito e demais raivosos comentarem das cuecas e meias cheias de dinheiro agora. Não que eu ache certo os fatos passados, mas é incrível como membros da nossa imprensa tratam de forma desproporcional os casos de corrupção ligados a direita brasileira, com pouca vontade de aprofundar o assunto, enquanto nos casos envolvendo o PT, por exemplo, depois de quase 3 anos os casos ainda eram tratados como piada nova! Quero ver agora!!!

No mais, vamos deixar com que a justiça faça a sua parte, investigue e puna quando necessário. Pois foi isso que a esquerda brasileira cobrou no caso do mensalão, não foi? Não podemos ter o discurso diferente da prática, nunca!

Abração e firmes sempre!!!

Balanços do ano e perspectivas pra 2009. Editores, vamos lá?

Oi gente, tudo bem?

Eita que o ano está acabando! Muita gente só pensa nas confraternizações e reencontros que acontecem neste período, mas é também um período de avaliações sobre o ano que está terminando e de pensarmos em perspectivas para o ano que vem, né não?

Afinal, não existe organização que se preze que não faça uma avaliação do que passou e planeje o amanhã. Aqui no boteco-socialista faremos os nossos balanços e perspectivas pra 2010.

Seria bom que cada um dos editores fizesse o seu exercício, colaborando pra que todos cresçamos juntos!

Está dado o recado, hein turma?

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Expediente

Hoje, dia 02/12, deveria estar sendo votada, no Senado, o ingresso da Venezuela ao Mercosul. A oposição brasileira, vide tucanos e DEMos, levantou e levanta interminantemente o coro contra a adesão da Venezuela ao bloco econômico. O que o povo brasileiro precisa saber é que esses mesmos cidadãos, que levantam a voz para dizer que a Venezuela não é um país democrático, que seu presidente é populista e que aquele país seria capaz de entrar em guerra com a Colômbia, são os mesmos que baixaram as calças para os EUA no período FHC; são os mesmos que obedeciam de forma incontestável a cartilha neo-liberal norte-americana; foram eles que defenderam a adesão do Brasil à ALCA; e são eles que queram "barrar" a Venezuela.

Isso me faz lembrar o papel que a América do Sul e América Latina vêm cumprindo perante o novo jogo de xadrez das relações entre nações dos dias de hoje. De quintal norte-americano, a América do Sul vem demonstrando uma autonomia como antes nunca vista, autonomia e crescimento econômico, autonomia e políticas sociais, autonomia e soberania para o seu povo (vide Venezuela, Bolívia, Chile, Brasil...). O Brasil, por exemplo, deixou de ter como principal parceiro econômico os Estados Unidos da América, passando a ser a China. A diversidade de parceiros com que a América do Sul vem se consolidando é coisa que incomoda os EUA e os neo-liberais que temos aqui no Brasil.

Não permitir que a Venezuela entre no bloco é um verdadeiro retrocesso. A Venezuela, desde 1998, diminuiu de 20% para 9% a miséria; vem gerando contratos para empresas brasileiras em torno de 15 bilhões de dólares e representa para o Brasil o maior superávit individual de sua balança econômica.

Ora, se nada mais é que impedir o avanço do povo, impedir o avanço dos estados democráticos e de grande aceitação popular, alguém me diga. Ah, mas para o Azeredo são populistas. Tenha santa paciência!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Paixão Internacional

Saudações socialistas!

O futebol é um esporte fantástico: é o único esporte que consegue mobilizar todo o mundo em torno de uma competição como a Copa do Mundo de Futebol. Apesar da paixão que mobiliza e da grande aceitação do futebol por todo o mundo, além da sua praticidade que facilita a prática em qualquer lugar, com qualquer "bola" ou qualquer barra (é, eu já joguei com bola de meia e sandália sendo barra); o futebol move milhões de dólares, euros, reais; é a grande menina dos olhos das grandes empresas de comunicação. Afinal de contas, transmitir um jogo do Flamengo acabar por ser de grande lucro para uma Rede Globo, por exemplo.

Mas o que me faz falar de futebol hoje é o caso do gol da França nas eliminatórias européias, em que Henry meteu a mão na bola antes de passá-la a Gallas. O gol foi escandaloso, a Irlanda pediu, inclusive, para ser o 33º time da Copa por ter sido claramente "passada a mão".

O que acontece é que, no futebol, essas coisas sempre aconteceram desde que o futebol existe. A falha humana, no caso, do juiz, é a coisa mais comum. Com fatos parecidos com esse, começa a surgir o debate do uso da tecnologia no futebol, mais precisamente das imagens televisivas para ajudar o juiz. Os defensores dessa tese comparam o futebol a tantos outros esportes que utilizam desse expediente, vide basquete, vôlei, tênis... e a Globo vem defendendo isso faz tempo.

Eu particularmente sou contra. Acho que é também devido a esses "inesperados" que o futebol é um esporte tão apaixonante e com tanta aceitação. O futebol é simples, é do povo, é humano. Apesar da Rede Globo dizer que não. Eu fico com muito pé atrás quando vejo a Globo defender isso, até porque ela seria a maior beneficiada disso. Quem seria responsável pela transmissão dessas imagens aqui no Brasil, por exemplo? É um debate que vale a pena ser feito, mas eu sou tradicionalista, adoro o futebol do jeito que sempre foi. Sou um reacionário!(sic)

domingo, 29 de novembro de 2009

Democracia Racial no Brasil? Não se Engane!

Oi Gente, tudo bem?

Acabei de ler um texto que vou publicá-lo aqui no blog. Agradeço o envio de Raíssa Fonseca.

Esse é pra quem ainda acredita no "mito da democracia racial brasileira".

Grande abraço e curtam o texto!

A Helena Negra posta "no seu lugar"

Os dias de glamour da primeira Helena negra foram poucos. No capítulo de ontem, numa cena que fazia uma alusão direta à noção de soberania branca, a personagem negra se ajoelha aos pés da mulher branca e pede perdão. Após isso, dotada de toda autoridade, a "mãe branca e zelosa" dirige um violento tapa na cara da personagem negra que resignadamente aceita a punição.

A cena chocou diversas pessoas. No caso particular das mulheres negras, todas se recusaram a se reconhecer daquela forma e se revoltam contra aquela atitude submissa e passiva diante da violência racial. Aquela cena teve uma repercussão desastrosa em cada uma de nós. A postura submissa da Helena negra vai contra a forma como hoje, e sempre, reagimos à violência racial e ao autoritarismo, seja pelo amparo da lei, seja impondo respeito diante daquele ou daquela que insiste em rememorar os tempos da escravidão, cobrando de nós o eterno deferimento e subserviência. Assim, a trama da novela vai contra a política e debates atuais que visam a igualdade de direitos e a postura autônoma que praticamos no nosso cotidiano e ensinamos às nossas jovens e crianças negras.

A cena de ontem também vai contra os argumentos daqueles que se negam a admitir a existência do racismo no Brasil, e que se afirma no imaginário do autor. O capítulo de ontem, por si só, fala da insistente crueldade da elite brasileira de negar o problema do racismo, ao mesmo tempo em que, de maneira nefasta, não abre mão de se manter numa posição privilegiada. A Helena negra é culpada por ter abortado, por ter casado com um homem branco e por não ter "cuidado" devidamente da enteada, numa relação que muito nos lembra mucama e sinhazinha. Não só Helena, mas também a personagem da atriz Sheron Menezes, em Caras e Bocas, tem a mesmo postura submissa, que paga (literalmente) um alto preço para estar com um homem branco.

Ambas sucumbem diante da supremacia branca retratada na televisão brasileira, ambas não tem dignidade e não representam a luta cotidiana dos homens e mulheres negras que diariamente enfrentam o racismo neste país. Ao que me parece, é muito difícil para a dramaturgia brasileira esconder este ranço ordinário da mentalidade escravocrata e racista.


Luciana Brito
Mestre em História UNICAMP
Movimento Negro Unificado-Bahia"

sábado, 28 de novembro de 2009

Aqui vai um copia e cola meu...

Veríssimo: Você não gosta de mim mas The Economist gosta

Por Luis Fernando Veríssimo, no jornal O Estado de S. Paulo

Os 800 mil empresários que, segundo uma previsão da época, fugiriam desse caos hoje devem estar se congratulando por terem esperado um pouquinho. O monstro não era um monstro, afinal. O monstro tinha a cara do Palocci e era social democrata como todo o mundo. O Brasil não só não afundou como, segundo a imprensa internacional, foi quem melhor soube boiar, na crise. Mas aprovação da Economist é, um pouco, como abraço do Ahmadinejad.

Pode ser conveniente e bom para a reputação ou constrangedor e estigmatizante, dependendo dos círculos em que se anda. Você tanto pode achar formidável um governo do PT ser elogiado como um exemplo de conservadorismo responsável quanto achar estranho um governo do PT, logo do PT, ser chamado por uma das principais publicações do capitalismo mundial de exemplo de conservadorismo responsável.

Em certos círculos do PT, a pergunta que está sendo feita deve ser: o que foi que nós fizemos de errado para merecer tamanha honra? É como receber um 10 por bom comportamento quando a reputação que se quer é a de bagunceiro. Imagino que tenha gente pensando em processar The Economist pela reportagem difamante.

Na capa da Economist com o título Brazil takes off (o Brasil decola), o Cristo Redentor aparece subindo como um foguete para alturas ainda incalculáveis, um símbolo da nova realidade no País. No filme 2012, o Cristo aparece desmoronando, no fim do mundo. De acordo com o filme e com as profecias, o Brasil só terá dois anos para aproveitar sua boa fortuna. Ao menos um alento para a Oposição.

Post-scriptum. Nunca se soube muito bem quem era o pai que não gostava do Chico, mas a filha gostava. O próprio Chico negou que fosse o presidente Geisel, cuja filha era fã do cantor. Segundo outra história, ao ser preso durante a ditadura, o Chico teve que distribuir autógrafos para as filhas dos agentes que o acompanhavam – ainda no elevador.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Mais um balanço

Aconteram, nos dias 25 e 26 de novembro, as eleições para Diretório Acadêmico Gregório Bezerra, da FFPNM-UPE. Uma eleição como há muito não se via naquela unidade de ensino: disputas internas, rachas, "pelegagens", traições, mentiras, mas também muita política, muita disputa de opinião e muita conquista de corações e mentes.

No início do semestre, era dada quase certa a vitória da oposição sobre a situação Nazarena, afinal de contas, com uma política danosa ao M.E e sem construir um movimento perene, a aceitação do grupo que está no poder do D.A.G.B há três anos não vinha sendo aceita pelos estudantes, e a oposição crescia, a oposição tomava corpo dentro dos C.As de Letras e História, além da formação do C.A de Biologia. Mas os ventos rumaram para outras direções: um grupo político, ligado ao DCE, que caiu de para-quedas em Nazaré da Mata, consegui "rachar" a oposição e tornar o pleito ainda mais difícil. O pior de tudo é que, para isso, usaram de todas as artimanhas e jogos sujos do que costumamos chamar de "politicagem" e não de política verdadeiramente dita.

O resultado, então, acabou sendo o esperado: mais um ano de gestão que continua danificando e menosprezando o M.E no sentindo conjuntural. Nossa chapa ficou em segundo, com trinta votos atrás da vencedora, mas tivemos verdadeiras vitórias como a descoberta de novos militantes, dispostos, leais e com muita sede de aprendizagem. Pudemos nos certificar de que a base de Letras ainda é nossa. E sobretudo, temos a ciência de que quem votou na "Da Unidade Vai Nascer a Novidade" votou porque acreditava no projeto político; votou porque viu o trabalho sendo feito e viu as propostas sendo discutidas e pautadas para melhoria da vida do estudante e da construção de uma nova sociedade. Não obstante, essa era nossa luta: mostrar que um D.A está inserido numa construção em níveis municipal, estadual e nacional.

Voltando para casa, após a apuração, passou-se um filme na minha cabeça: daquele moleque de 17 anos, que ainda nem entendia o que era um D.A. Finalmente fechei meu ciclo no Movimento Estudantil. Ter surgido da primeira turma do turno da tarde em Nazaré da Mata e na base de muita luta, consegui fazer o movimento crescer, conquistando as pessoas politicamente e mostrando que é possível fazer política de forma séria. Hoje, confio em deixar camaradas darem prosseguimento a esse trabalho: Jéssika, Cristóvam, Pamella, Aline Silva, Walter, Itárcio, Hortênsia e tantos outros que construiram a Unidade de que o movimento estudantil tanto precisa. Um salve a todos vocês! Viva o movimento estudantil! Viva a força da juventude!

Um abraço e firme na luta!

SEMPRE!

Seu Zé da Feira em: O que queremos?

Antes de sair de casa, um gole de chá, o cigarro no bico ainda apagado e o velho jornal catado das ruas. Leu um pouco, acendeu o cigarro e partiu para sua lida diária.

Vem chegando as eleições, e o seu Zé é sempre alvo das pessoas de sua comunidade para orientá-los em quem votar.

Acontece que o homem cismou com uma frase que ouviu na rádio e não para de repetir pra todos que o consultam. - E o que queremos? – Dizia ele. Quer dizer, gritava.

- E o que queremos? – e às vezes completava: - É a Caverna! São sombras apenas, vocês não estão vendo? E o que queremos?

Lembrou de dona Anita, vizinha idosa, de muita sabedoria e conhecedora das idéias socialistas. Seguiu em sua busca e ao achá-la, foi direto ao ponto:
- E o que queremos?

Dona Anita, já prevenida da novidade do amigo, acendeu-lhe a lanterna na cara e gritou.
- A verdade Zé, a verdade!

Então aquela figura masculina, franzina, defumada a tabacos, sentou e chorou copiosamente. Ainda em soluços, lembrou com a sua bondosa camarada das tarefas revolucionárias da juventude, seu tempo de militância, das passeatas e das feições ideológicas dos movimentos sociais.

Lamentou que parte da juventude reproduzisse a inversão de valores de raposas mais experientes e sem muito explicar, puxou do bolso um papel velho e rabugento, como quem desembainha uma espada, e o abraçou carinhosamente.

Não se sabe ao certo o que era. Alguns juram ser manuscritos sobre o manifesto comunista. E ele jura que a letra é do próprio Karl Marx. Fez da rua palco, de Raul Seixas porta-voz, incorporou o cavaleiro andante e caio no mundo a cantar:


Que o mundo foi e será uma porcaria eu já sei
Em 506 e em 2000 também
Que sempre houve ladrões, maquiavélicos e safados
Contentes e frustrados, valores, confusão

Mas que o século XX é uma praga de maldade e lixo
Já não há quem negue
Vivemos atolados na lameira
E no mesmo lodo todos manuseados

Hoje em dia dá no mesmo ser direito que traidor
Ignorante, sábio, besta, pretensioso, afanador
Tudo é igual, nada é melhor

É o mesmo um burro que um bom professor
Sem diferir, é sim senhor
Tanto no norte ou como no sul
Se um vive na impostura e outro afana em sua ambição

Dá no mesmo que seja padre, carvoeiro, rei de paus
Cara dura ou senador

Que falta de respeito, que afronta pra razão
Qualquer um é senhor, qualquer um é ladrão
Misturam-se Beethoven, Ringo Star e Napoleão
Pio IX e D. João, John Lennon e San Martin

Como igual na frente da vitrine
Esses bagunceiros se misturam à vida
Feridos por um sabre já sem ponta
Por chorar a bíblia junto ao aquecedor
Século XX "cambalache", problemático e febril
O que não chora não mama
Quem não rouba é um imbecil

Já não dá mais, força que dá
Que lá no inferno nos vamos encontrar
Não penses mais, senta-te ao lado
Que a ninguém mais importa se nasceste honrado
Se é o mesmo que trabalha noite e dia como um boi
Se é o que vive na fartura, se é o que mata, se é o
Que cura
Ou mesmo fora-da-lei


E depois do Cambalache quem segura seu Zé?
Ele continua a gritar:
- E o que queremos?


Saúde Camaradas, forte abraço!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Na Política é Inevitável Comparações.

Oi gente, tudo bem?

Nesta semana a gente pode acompanhar novas pesquisas de opinião da CNT/Sensus, animando o campo progressista e dando muita dor de cabeça pros DEMOS e TUCANOS do nosso Brasil.

A citada pesquisa mostra o crescimento da candidata do governo, Dilma Roussef, a queda em pontos, mas ainda na liderança da pesquisa, José Serra, o voo que não aconteceu de Marina Silva e a candidatura de Ciro que já já afunda, pois, sem oxigênio nem mesmo no próprio partido pode acabar na UTI.

Mas impressionante mesmo são os índices relativos aos governos de FHC e de LULA! É algo impressionante. Pra se ter uma idéia, os maiores índices de FHC são na maioria dos meses de pesquisa comparáveis aos piores de LULA.

Mas isso não é tudo. Pior ainda é quando perguntam sobre eles, Lula e FHC enquanto cabos eleitorais. Enquanto Lula eleva os índices de Dilma, FHC enterra os índices de Serra.

Há muito tempo venho discutindo com pessoas justamente sobre as campanhas eleitorais e a tática das comparações. Na política e muitas vezes no trabalho, nas atitudes, em diversas situações da vida a gente está submetido a comparações, que muitas vezes definem a opção, o caminha a ser seguido.

No caso da campanha eleitoral do ano que vem gente, podem ter certeza que será um massacre quando compararem os 8 anos de FHC com os 8 anos de governo Lula, e aí não tem choro nem reza que dê jeito! É nessa hora que as pessoas tomarão sua decisão, por mais que os políticos do DEMO/PSDB/PMDB/PPS tentem esconder FHC, ele vai aparecer no guia de Dilma e lembrar as pessoas que é necessário fazer as comparações.

Hoje o povo está mais antenado na política, avaliam diversos aspectos, e escolhem candidatos por suas capacidades, projetos e apoios. Não só pra Presidente da República, mas pra líder comunitário, sindico, representante no conselho tutelar e também nas entidades estudantis.

Escolhas certas rendem anos de bons projetos políticos e novos caminhos são abertos. Já as erradas geram dor de cabeça, esfacelamento de projetos e empobrecimento no debate e na prática política. É preciso analisar critérios e definir as escolhas através deles, pois contra os fatos não há argumentos, como dizem na gíria do futebol, é preciso fazer o feijão com arroz e ajudar na contrução de forma cotidiana. Faz parte da cartilha política.

Não adianta fugir FHC ou qualquer outro, na política é inevitável que sejam feitas comparações.

Ainda bem!

Forte abraço e FIRMES SEMPRE!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

"Não vamos deixar ninguém atrapalhar a nossa passagem"

Dispensando apresentações, por já terem sido feitas de forma carinhosa e coruja, posso dizer que é um prazer escrever no boteco, onde grandes camaradas ainda conseguem, embora que nos dias de hoje esteja difícil, expor opiniões responsáveis e textos construtivos.

Depois de todas as formalidades, queria me deter a escrever um pouco sobre a militância feminina que encontramos atualmente, seja dentro das entidades estudantis, sindicais, partidos, gabinetes, ou qualquer outro espaço.

Não se pode negar a ascensão feminina. Cada vez mais, as opiniões machistas estão sendo diminuídas com inteligência, com competência, e veracidade. Embora, ainda exista de maneira cruel, uma parcela da sociedade que insista em retroceder, como foi o caso da garota da Uniban, bem tratado há algumas postagens atrás.

É de fundamental importância que casos como esse, não sejam vistos como aberrações que abalam a rotina das universidades, das empresas, do trânsito e em qualquer outro ambiente de presença feminina maciça. São absurdos que precisam ser encarados de frente. Casos como esses, são mais que comuns, todos os dias, a todo o instante. Deixo desde já, o meu irrestrito apoio, a todos os setores dos movimentos sociais, que por não se sentirem intimidados, tomaram pra si a responsabilidade de rechaçar tais casos de extrema ignorância, e desrespeito. São casos de problemas sociais de um coletivo, que se refletem especificamente tantas vezes, e que fazem cada um de nós acreditar ainda mais que é longa e árdua a estrada que ainda vamos percorrer. Mas, a luta continua!

Não é novidade pra ninguém, o quanto as mulheres têm comprovado diariamente toda a competência de ocupar os mais variados espaços. E também não é novidade, toda a luta travada durante toda a História para que este setor oprimido da sociedade ocupasse seus espaços, tendo voz, voto, e respeito. O que me deixa bastante intrigada, é a forma como tantos, anacronicamente, ainda repudiam organizações femininas. Estas são tachadas lamentavelmente, como radicais, reacionárias, extremistas. Sempre se faz muito necessário, esclarecer-se que a luta feminista não se faz com diminuição de qualquer outra luta presente, mas, com fortalecimento. Não se trata de retirar dos espaços, a parte masculina da sociedade, fazendo com que a hegemonia feminina prevaleça. Mas, que essa parcela forte e aguerrida da sociedade, possa disputar opiniões, espaços, e empregos de forma igualitária e responsável.

As mulheres estão cada vez mais ocupando lugares de destaque, como é o caso da presidenciável Dilma, que talvez nunca tenha se visto uma mulher com tantas chances de chegar ao ponto mais alto da política brasileira. Ponto pra nós! Vitória feminina e de todo o povo brasileiro. Mas que se deixe claro, que lugar de mulher é na política, é no debate, na construção de idéias sim, mas mulher com competência. Que faz jus ao sangue de todas aquelas que lutaram por dias mais justos. Mulheres que tem a consciência de toda a responsabilidade que carregam nos ombros, por não serem o dito “sexo frágil”, mas o sexo da superação, batalhador, e forte! Parabéns a todas nós, que com docilidade e ousadia, colorimos a militância, os corredores, as casas, os hospitais, e as ruas, desse mundo. Parabéns a sociedade, que em muito tem avançado nesse debate. Que fique bem claro que estamos na luta, que estamos vencendo, e aprendendo; mas que fique mais claro ainda, que isso só pode ser feito com responsabilidade, e pulso para tal. Não basta ser mulher. Tem que ser mulher, orgulhar-se por isso, e ser de luta!


Saudações Feministas e Socialistas!

Pra colorir


O nepotismo, agora, vem tomar conta deste blog, camaradas! Após novos colunistas terem sido introduzidos aqui, chega a hora de uma voz feminina poder colocar-se diante dos leitores do Boteco. Jéssika Evelyn é estudante de História na UPE, diretora da FEMEH-PE, militante da UJS e do Partido Comunista do Brasil, uma das dirigentes do Núcleo da UJS-UPE e diretora de Universidades Públicas da UEP. Ligada à militância através do Movimento Estudantil Universitário e da luta na frente de mulheres.

Agora, Jéssika Evelyn vem tentando atuar, também, no movimento comunitário, onde acredita que, de fato, pode mudar a realidade social das pessoas, onde pode ver pequenas ações com grandes significados. E o nepotismo eu explico: ela é minha namorada.



Seja bem-vinda.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Os jovens vão 'estar tomando' o poder

Conhecidos pelo uso do gerúndio e pelo bordão “vamos estar solucionando”, os operadores de telemarketing são considerados os metalúrgicos dos dias atuais. A função surgiu como fruto das novas relações de trabalho e do avanço tecnológico, mas carrega problemas parecidos aos das antigas linhas de produção industriais.

Os operadores de telemarketing somam 1,075 milhão de profissionais hoje no País. A maioria é jovem no primeiro emprego, com idades entre 18 e 29 anos. É a categoria que mais cresceu no Brasil: 10% ao ano em uma década. Setenta por cento são mulheres.

Esses jovens significam hoje para o PCdoB quase a mesma coisa que os operários do ABC representaram para o PT. Sindicatos da categoria, como os de São Paulo e Belo Horizonte, são ligados à União da Juventude Socialista (UJS), o braço jovem do PCdoB. Durante o 12º. Congresso do partido, realizado entre os dias 5 e 8 no Anhembi, em São Paulo, a atividade e a mobilização dessa categoria foi ressaltada pelos dirigentes comunistas.

Os jovens líderes sindicais da área de telemarketing, alguns com pouco mais de 20 anos, se organizam de forma diferenciada. Para atingir o público, realizam assembléias durante festas fechadas em casas noturnas, com DJs e outros atrativos. Num determinado momento, a música para, começam os discursos e as informações importantes são transmitidas. A tecnologia é utilizada na comunicação com a base.

“Nossa forma de organização se dá com o uso da linguagem do jovem. Se fizéssemos só a assembléia não reuniríamos mais de 100 pessoas”, admite Marco Aurélio de Oliveira, 33 anos, há um presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Telemarketing de São Paulo (Sintratel) e há oito integrante dos quadros do PCdoB.

A construção de um modelo de comunismo com feição brasileira, a eleição do novo comitê central do partido e a necessidade de arregimentar militantes na juventude foram alguns dos principais temas do congresso do PCdoB. O encontro reuniu 1.100 delegados, 100 delegações estrangeiras de partidos comunistas de todo o mundo e políticos como o presidente Lula, a presidenciável Dilma Roussef, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB) e o ministro da Justiça, Tarso Genro.

Aos 87 anos, o PCdoB reafirmou sua posição de parceiro do governo Lula e apoiador de primeira hora da candidatura de Dilma. Agora, se prepara para tentar dobrar suas bancadas na Câmara Federal e no Senado e pretende disputar a eleição para governador, com chances, no estado do Maranhão, com o deputado e ex-juiz Flávio Dino.

O partido conta hoje com 240 mil filiados. Aumentou em 50% o número de seguidores de seu congresso anterior, em 2005, para cá. Tem um ministro no governo Lula (Orlando Silva, dos Esportes), um senador (Inácio Arruda, do Ceará), 12 deputados federais, 13 estaduais, 406 prefeitos e 607 vereadores pelo Brasil. Dirige ainda um importante órgão no governo, a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a cargo do ex-deputado Haroldo Lima.

A preocupação em ganhar adeptos na juventude é estratégica. O PT, segundo pesquisas, é o partido preferido entre os jovens brasileiros. Mas o PCdoB se notabiliza pela formação de quadros aguerridos e disciplinados no movimentos estudantil. Somente a UJS reúne 100 mil filiados, organizados em núcleos em 800 municípios brasileiros.

Quatro quadros da linha de frente do PCdoB foram formados na Juventude Socialista: o ministro Silva (no do partido com maior visibilidade na mídia depois que o Brasil realizou os Jogos Panamericanos no Rio e conseguiu o direito de promover a Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos Olímpicos, em 2016); o deputado Aldo Rebelo (fundador e primeiro dirigente da entidade, que chegou até a ser presidente da República por dois dias); a deputada gaúcha Manuela D’Ávila, eleita aos 26 anos com 271 mil votos – hoje considerada a musa do Congresso -; e Manoel Rangel, presidente da Agência Nacional de Cinema (Ancine).

A UJS comanda a União Nacional dos Estudantes (UNE) há quase 20 anos. Há 30, a principal entidade dos estudantes brasileiros só não esteve sob a influência direta do PCdoB em três gestões, entre 1987 e 1991. A Juventude Socialista é também hegemônica na União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES).

A maioria dos centros acadêmicos (CAs) e grêmios estudantis do País é ligada ao partido, garante sua direção. De um total de 3.000 CAs que participaram em janeiro do Conselho Nacional de Entidades de Base (Coneb), em Salvador, 2.100 foram mobilizados pela UJS. No último congresso da UNE, em julho, o PCdoB contabilizou 50% dos delegados. “Mesmo com todos os ataques feitos aos comunistas pelos setores conservadores, não há um partido com maior influência na juventude que o PCdoB”, garante o baiano Marcelo Gavião, 29 anos, estudante de Ciências Sociais da PUC-SP e presidente da UJS.

Outro alvo é o hip hop. O Face da Morte, um dos grupos de rap com maior volume de shows pelo Brasil, tem estreitas ligações com o PCdoB. O grupo tem clips na MTV, oito discos gravados e faixas incluídas em coletâneas de sucesso. O vocalista e líder do Face da Morte, Aliado G, 35 anos, é ex-dirigente da UJS e presidente da Nação Hip Hop Brasil, organização que reúne mil grupos de rap brasileiros e desenvolve oficinas culturais para ressocializar jovens infratores na região da Grande Porto Alegre. Em Suzano, na Grande São Paulo, trabalho semelhante é feito em escolas.

Aliado G foi o primeiro rapper candidato a deputado no mundo segundo reportagem do jornal New York Times. Ele concorreu à Assembléia Legislativa paulista em 2006, teve 20 mil votos, mas não foi eleito. Dois anos depois, foi o primeiro rapper a se candidatar a prefeito, em sua cidade, Hortolândia (SP), na região de Campinas. Ficou em terceiro lugar.

O partido se fortalece ainda em outras áreas. O seu braço no movimento sindical é a Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), comandada pelo presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Wagner Gomes. A central reúne 400 sindicatos e representa 7 milhões de trabalhadores.

Fidelis Baniwa, 35 anos, da etnia Baniwa, na região do Alto Rio Negro, no Amazonas, é outra liderança emergente. Integrante da Coordenação das Nações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Fidelis é ainda ator profissional. Trabalhou na mini-série Mad Maria, da TV Globo, e nos programas eleitorais de Lula, em 2006. Agora, vive no cinema o papel do índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, assassinado em 1997, no filme A Noite por Testemunha, de Bruno Torres, a ser lançado na próxima semana no Festival de Brasília. Fidelis deve ser candidato a prefeito pelo PCdoB na cidade de Santa Isabel do Rio Negro (AM). “O comunismo tem tudo a ver com o dia-a-dia em nossas aldeias. Quando alguém traz uma caça, todos são convidados a sentar juntos à mesa”, afirma.

O PCdoB quer desmistificar a imagem de dinossauro imposta por segmentos conservadores. “As idéias neoliberais colocadas em prática a partir dos anos 80 redundaram na maior crise econômica mundial desde 1929. Na origem está a cartilha neoliberal: as privatizações e o estado mínimo. Diante desse fracasso, quem são os dinossauros?”, questiona a deputada Manuela D’Avila.

Os comunistas também rejeitam a fama de ranzinzas. “Não é preciso ser chato para ser comunista”, retruca o baiano Orlando Silva, ministro com nome de cantor de serestas e animador de rodas de samba nos finais de semana, ao lado de artistas e políticos convidados, em sua casa na Vila Mariana, zona sul de São Paulo. “O que o comunista precisa é ter convicção e perspectiva política. É se doar à luta política e batalhar pelo futuro. Num país como o Brasil isso só pode ser feito com alegria”, afirma Silva, enquanto dá autógrafos e posa para fotos ao lado de militantes. “Quando alguém estranha minha opção e pergunta se sou mesmo comunista, eu respondo: sou comunista, graças a Deus”. Silva acredita em Deus. E diz que a maioria absoluta do partido também.

Os líderes do PCdoB afirmam ter sido um erro, no passado, a busca pela tentativa de reedição de experiências comunistas em outros países. “Não dá para dizer que o exemplo da China não é vitorioso. O regime conseguiu unir o povo chinês, garantir direitos ao povo e fazer o país sair da miséria para a modernização. Mas nós não vamos copiar modelo de ninguém. No passado, mirávamos em experiências que tinham dado certo. Agora, vamos construir uma democracia do nosso jeito. A ditadura do proletariado era uma coisa que dizia respeito á União Soviética, naquela época”, argumenta o deputado Aldo Rebelo.

Reconduzido à presidência do partido durante o congresso, Renato Rabelo, 67 anos, contador e técnico agrícola, explica: “O partido é produto de um tempo determinado e localizado. Não é modelo que vale para qualquer situação. É expressão da luta transformadora de um tempo histórico. Por isso, ele muda”. Para o dirigente, o socialismo é muito jovem para ser considerado um fracasso. “Ele está dando os primeiros passos. É a proposta de um novo sistema. E a crise do capitalismo é real. A história vai dizer quem está com a razão”, garante. “O socialismo brasileiro ainda pretendemos construir. Seria especulação dizer se vai ser assim ou assado”.

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=8&i=5479

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Estatísticas

Finalmente, entrei pra as estatísticas: entrei no grupo dos que dizem "fui assaltado". Aconteceu faz uma semana, no ônibus. O curioso é que a gente, antes de acontecer algo assim, sempre se pergunta como reagiria a uma situação dessas. E a verdade é que a gente não tem nenhuma noção do que fazer na hora, a não ser entregar o celular e a carteira. Por sorte, não entreguei minha carteira e todos os documentos que lá havia. Entreguei meu celular (muito velho, por sinal).

Lembro-me que ao dizer que nunca havia sido assaltado, muitas pessoas me questionvam, perguntavam se eu era de outro planeta. Hoje eu digo: bem vindo à terra, Nilson; bem-vindo ao Recife, uma das cidades mais violentas do mundo.

Eu poderia citar aqui uma série de clichês sobre a violência urbana: a questão da educação, a questão dá má remuneração dos policiais, que inclusive, em muitos casos se acovardam diante de situações como essa, a questão de falta de políticas públicas de inclusão.

Em muitos casos, uma quadra, um espaço de convivência resolveria o assunto. Dói-me ver que os que carregaram meu celular devem ter uns 14, 15 anos. Dói-me sentir-me um estrangeiro em minha cidade, um passageiro acuado, temeroso.

Mas continuarei dando meus passos pelas ruas de minha cidade, acreditando que tudo um dia vá melhorar.

Saudações socialistas!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Eu amo essa entidade e o nome dela eu vou dizer

Fazer parte do Partido Comunista do Brasil e da União da Juventude Socialista é um grande exercício de militância. A gente aprende, ouve, convive e compartilha idéias com grandes pessoas de todo o Brasil, compartilhando a perspectiva e a esperança de um novo mundo, uma nova sociedade: uma sociedade socialista.

Fazer parte da UJS deve significar também organização, planejamento de ação, centralismo democrático. Sim, centralismo democrático, um exemplo de organização partidária, mas não o centralismo sozinho, não o enquadramento. Planejamento sim, mas não a práxis pela práxis, é preciso o convencimento. Convencer sim, mas não iludir os militantes, não tratar como máquinas.

É preciso dirigir, como também é preciso cumprir as tarefas a que somos designados. É preciso cumprir com as práticas de nosso estatuto, de nosso manifesto, de nossas resoluções. É preciso conquistar um novo tempo, uma nova sociedade, é preciso construir dia-a-dia a prática militante, formar e valorizar nossos quadros cotidianamente, dando-lhes tarefas, tarefas políticas.

E é preciso, também, reconhecer que cargos políticos são nada mais nada menos do que uma responsabilidade maior, e não contemplação. Não há ocupação de cargos por contemplação, e sim por tarefa política. Essa é a UJS, essa é a nossa UJS, é nisso em que acredito!